Região de Piracicaba registra uma vítima por estelionato a cada 9 minutos, diz SSP
03/06/2026
(Foto: Reprodução) Estelionato: golpes somam mais de 120 mil casos em Campinas e Piracicaba em 2025
A região de Piracicaba (SP) registrou uma vítima por estelionato a cada nove minutos, em média, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. A média considera os boletins de ocorrência registrados nos três primeiros meses de 2026.
Os aposentados foram os principais alvos dos criminosos, com, em média, uma ocorrência registrada a cada hora.
De acordo com o advogado criminalista doutor Haroldo Cardella, a preferência pelos mais idosos ocorre porque eles possuem renda fixa mensal por meio de pensões e aposentadorias. Além disso, normalmente, são pessoas mais vulneráveis por falta de conhecimento sobre a estrutura digital.
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"Muitos deles possuem créditos pré-aprovados nas instituições bancárias, que são chamados consignados. Diante disso, essas vítimas, especialmente as pessoas mais idosas, se tornam presas fáceis para esses criminosos", explicou.
Crescimento de 39,7% em três anos
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os registros de estelionato na região cresceram 39,7% em três anos. Foram 35.562 boletins registrados em 2022, número que saltou para 49.683 ocorrências em 2025.
Até março de 2026, ocorreram 13,6 mil casos. O levantamento, com as ocorrências desse ano, mostra que os aposentados são os principais alvos dos criminosos — confira o ranking completo abaixo.
Aposentados, com mais de 1.310 mil registros em 2026;
Autônomos, com 655 ocorrências;
Empresários, com 610 casos;
Advogados, com 534 registros;
Professores, com 428 ocorrências;
Motorista, com 313 ocorrências;
Vendedor, com 233 ocorrências;
Desempregado, com 212 casos;
Administrador de empresas, com 190 casos;
Comerciante, com 170 registros.
✍🏿 Entenda o dado: os dados da Polícia Civil levam em conta o número de vítimas registradas em boletins de ocorrência. Quando não é possível identificar o perfil da pessoa, o caso não é considerado nesta estatística.
Migração para o ambiente digital
Cardella explicou que o aumento está atrelado à migração dos criminosos para o ambiente digital, especialmente após a pandemia, utilizando internet, redes sociais e aplicativos de mensagens.
"Eles [os criminosos] têm tecnologias e uma forma de abordagem das pessoas que chega muito próximo do real. [Como] um familiar em apuros, numa situação grave, de um falso sequestro, de um veículo quebrado na rua e ele precisa de um socorro rápido", explicou.
Prejuízos e processos
Essas fraudes têm gerado perdas altas e disputas judiciais. O empresário Ricardo Pereira percebeu que teve cartão de crédito corporativo clonado logo após a via física ser entregue, gerando um gasto indevido de quase R$ 30 mil sem qualquer assinatura.
"Um cartão com o meu nome e um nome embaixo. Achei estranho, fui no banco, aí o banco falou que nomeei uma pessoa, só que não tem minha assinatura. De repente, tinha quase 30 mil gastos no meu cartão. Tive que entrar com o processo, provar que não foi a gente", relatou.
Já o caso do soldador Edmilson de Souza, que perdeu quase R$ 60 mil em 2021, terminou sem acordo. Ele foi enganado por uma mensagem de golpistas se passando pela Caixa Econômica Federal que solicitava uma atualização online de assinatura sob a justificativa de distanciamento social.
Dez minutos após o procedimento, a conta foi esvaziada. "Esse valor para mim é muitos anos de trabalho", lamentou a vítima após ter o pedido de ressarcimento negado até a terceira instância.
Vítima de estelionato segura mexe no celular, meio por onde golpe foi aplicado
Reprodução/TV Globo
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