Quem são 'A Turma' e 'Os Meninos', grupos alvos da nova fase da Compliance Zero que intimidavam pessoas e invadiam sistemas

  • 14/05/2026
(Foto: Reprodução)
Quem A nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14) que prendeu o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, mira os núcleos conhecidos como "A Turma" e "Os Meninos", que segundo a Polícia Federal, eram dois núcleos operacionais com funções distintas. Os grupos eram responsáveis por crimes de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos. LEIA TAMBÉM: 6ª fase da Compliance Zero mira alvos ligados a Vorcaro que intimidavam pessoas e invadiam sistemas A operação também mira pessoas ligadas as ações de Luiz Phillipi Mourão, sicário de Vorcaro. Segundo o blog de Camila Bomfim, as suspeitas apuradas pela PF incluem crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. Os investigadores também apuram se as ações de intimidação tinham como objetivo proteger interesses financeiros e dificultar o avanço das apurações relacionadas ao esquema investigado. Pai de Daniel Vorcaro é preso em nova operação sobre o Banco Master Reprodução LEIA TAMBÉM: Pai de Daniel Vorcaro é preso pela PF em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga caso Master Quem são 'A Turma' e 'Os Meninos' De acordo com a representação enviada ao Supremo Tribunal Federal, “A Turma” era responsável por ações presenciais de intimidação e monitoramento clandestino. Segundo a PF, o grupo atuava em ameaças, coerções, obtenção ilegal de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas do governo. A investigação aponta que o núcleo teria contado com a participação de policiais federais da ativa e aposentados, operadores do jogo do bicho e outras pessoas ainda não identificadas. Já “Os Meninos”, segundo a PF, formavam o braço tecnológico do esquema. O grupo seria composto por pessoas com perfil hacker, contratadas para executar ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento ilegal de celulares e sistemas digitais. Ainda de acordo com a investigação, integrantes desse núcleo também teriam atuado na destruição ou ocultação de provas digitais. A PF afirma que os dois grupos eram coordenados por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, e atuavam para cumprir ordens do núcleo central da organização investigada. Os investigadores também apontam indícios de apoio patrimonial, contábil e logístico ao esquema, além do repasse de informações sigilosas obtidas por meio de consultas indevidas ao sistema e-Pol da Polícia Federal. LEIA TAMBÉM: Pai de Daniel Vorcaro é preso pela PF em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga caso Master Em uma das conversas citadas pela investigação, Mourão afirma que recebia pagamentos mensais e distribuía parte dos valores “entre A Turma”, além de mencionar “Os Meninos”, “DCM” e “editores”, indicando a existência de uma rede organizada com divisão de funções. A PF sustenta que integrantes do grupo atuavam em consultas indevidas a sistemas restritos, vigilância de pessoas, remoção de conteúdos digitais e obtenção de informações protegidas por sigilo institucional. A investigação aponta ainda que a estrutura funcionava como um “braço armado” da organização criminosa investigada. LEIA TAMBÉM: Quem é Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, preso em operação que investiga o Banco Master Quem é quem na 'Turma' Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário” Responsável por coordenar operacionalmente a chamada “Turma”, uma estrutura de vigilância privada. Segundo a investigação, tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral. LEIA TAMBÉM: Mensagens revelam ordens de Vorcaro para ‘moer’ empregada, intimidar funcionários e agredir o jornalista Lauro Jardim Mensagens revelam ordens de Vorcaro para 'moer' empregada Marilson Roseno da Silva Policial federal aposentado apontado como integrante relevante da “Turma”. Teria usado sua experiência e contatos na carreira policial para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina de alvos definidos pela organização. Além do núcleo operacional, a investigação também aponta a existência de um núcleo de corrupção e apoio, composto por pessoas responsáveis por facilitar a atuação do grupo e dar aparência de legalidade a pagamentos. Paulo Sérgio Neves de Souza Ex-diretor de fiscalização do Banco Central. Segundo a investigação, atuava como uma espécie de consultor informal de Vorcaro, antecipando informações sobre fiscalizações e sugerindo estratégias para o Banco Master. As investigações mostram que Paulo Sérgio alertava previamente Vorcaro sobre movimentações que a autarquia havia identificado, revisava documentos e ofícios que seriam entregues pelo Banco Master ao Bacen, "atividade incompatível com as atribuições de fiscalização exercidas pelo próprio servidor público", de acordo com a decisão. Belline Santana Ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária no Banco Central. Assim como Paulo Sérgio, teria prestado consultoria estratégica ao banqueiro e revisado documentos que o banco enviaria ao próprio órgão regulador. Segundo as investigações, Vorcaro solicitou contato por telefone com Belline em diversas ocasiões "para tratar de assuntos sensíveis, indicando a intenção de evitar o registro escrito das comunicações". Ele também se reuniu com Vorcaro fora das instalações do BACEN para tratar do posicionamento do Banco Master perante o Banco Central. O conteúdo também informa que Belline recebeu proposta de contratação, por email, por meio da Varajo Consultoria. As investigações mostram que a contratação simulada era um mecanismo fictício para formalizar o pagamento pelas atividades prestadas. Uma das mensagens enviadas por Zettel a Vorcaro, ele pergunta “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?”. Leonardo Augusto Furtado Palhares Administrador da empresa Varajo Consultoria, apontada como responsável por formalizar contratos fictícios usados para dar aparência de legalidade a pagamentos ilícitos. Como representante da empresa, era ele quem assinou a proposta de um "projeto de elaboração de estudo técnico relacionado à inserção de jovens no mercado financeiro" -- contrato fictício para os repasses financeiros aos envolvidos, como Belline Santana. Ana Claudia Queiroz de Paiva Sócia da empresa Super Empreendimentos, que teria operado transferências financeiras destinadas a sustentar os pagamentos e as atividades do grupo.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/post/2026/05/14/quem-sao-a-turma-e-os-meninos-grupos-alvos-da-nova-fase-da-compliance-zero-que-intimidavam-pessoas-e-invadiam-sistemas.ghtml


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