Quatro escolas desfilam na 2ª noite do Grupo Especial com mais homenagens e uma viagem ao Candomblé baiano
16/02/2026
(Foto: Reprodução) Saiba como é calculada a data do carnaval
Mais 4 escolas dão prosseguimento, nesta segunda-feira (16), aos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Pisam na Avenida Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Tijuca.
A 2ª noite terá homenagens a personalidades — em vida e póstumas; e uma viagem à maior festa de Candomblé do mundo.
O g1 vai transmitir na íntegra todos os desfiles do Grupo Especial. Na página especial, você também acompanha destaques das escolas, trechos das apresentações e as últimas notícias da Sapucaí.
Nesta 2ª noite, teremos:
Uma exaltação a Rita Lee e sua obra libertária;
Um ritual centenário do Recôncavo Baiano;
Uma celebração em vida a Mestre Ciça;
E uma homenagem a Maria Carolina de Jesus e a seus livros.
Quatro escolas saíram no domingo (15), e mais 4 se apresentam nesta terça (17).
Clique na sua escola para ir direto à seção dela.
Mocidade Independente de Padre Miguel
Beija-Flor de Nilópolis
Unidos do Viradouro
Unidos da Tijuca
Horários dos desfiles do Grupo Especial
1. Mocidade Independente de Padre Miguel
Cartaz do enredo da Mocidade de 2026
Reprodução
Resumo rápido
Que horas desfila: esquenta às 21h45, início às 22h
Enredo: “Rita Lee — a padroeira da liberdade”.
Cores: 🟢⚪ Verde e branco
Quantos títulos no Grupo Especial: 6
Ano do último título: 2017 (relembre aqui como foi)
O enredo em 10 pontos
Enredo e samba: Mocidade vai destrinchar a trajetória da Rita Lee, a rainha do rock
A chegada de Rita Lee como figura libertária que rompe padrões num Brasil marcado pela repressão e pelo conservadorismo.
A entrada da mulher no território do rock, até então dominado por homens, com atitude transgressora e irreverente.
A mistura do rock da contracultura com ritmos brasileiros na Tropicália e nos Mutantes, criando uma revolução estética e sonora.
A construção de uma imagem artística ligada à liberdade, ao deboche e à quebra de regras em tempos de ditadura.
A decisão de seguir carreira solo, ampliando caminhos criativos e afirmando a autonomia artística.
O enfrentamento da censura, da repressão e da prisão sem abrir mão da provocação e da ousadia.
A obra que canta o amor, o desejo, o prazer e a sexualidade feminina de forma direta e sem culpa.
A influência de Rita Lee na emancipação das mulheres e na quebra de tabus sobre sexo, corpo e liberdade.
A multiplicidade da artista: cantora, compositora, escritora, apresentadora, ativista e defensora dos animais.
A consagração de Rita Lee como Padroeira da Liberdade, celebrada pela Mocidade num carnaval de festa, alegria e irreverência.
Cante o samba
Mocidade vai cantar Rita Lee; veja o samba
Autores: Jeffinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax
Intérprete: Igor Vianna
Mocidade, êêêêê
Minha Mocidade, voltei por você!
Desbaratina a razão, se joga, meu bem
No céu, no mar, na lua... na Vila Vintém!
Um belo dia resolvi mudar
Cansei dessa gente careta
Aos seus bons costumes eu sinto informar
Formei outras ovelhas negras
A tropicalista do verbo sem freio
Pra farda, uma língua e o dedo do meio
Cabelo de fogo e a lente encarnada
Mutante da pele marcada
Transo rock e samba pra sentir prazer
Agora só falta você (yeah, yeah)
Agora só falta você
Sou independente, fácil de amar
Livre de qualquer censura
Vem, baila comigo, só de te olhar...
Posso imaginar loucuras
Amor é pra sempre
O corpo compondo entre a boca e o ventre
Dedilha a guitarra (lá láiá)
Arranca as amarras e me bebe quente
Meu doce vampiro além do querer
Desculpe o auê!
Se é caso sério, eu lanço perfume
Aumenta o volume que eu banco a verdade
Não adianta prender
Santa Rita “Leeberdade”
Vem, seja Pagu, se entrega
Quem foge ao padrão vence a regra
Sou voz feminina plural
Assino a estrela no seu carnaval
Quem é quem
Fabíola de Andrade no ensaio da Mocidade
Anderson Bordê/AgNews
Carnavalesco: Renato Lage
Diretores de Carnaval: Marcelo Plácido e Wallace Capoeira
Intérprete: Igor Vianna
Mestre de Bateria: Dudu
Rainha de Bateria: Fabíola Andrade
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Diogo Jesus e Bruna Santos
Comissão de Frente: Marcelo Misailidis
2. Beija-Flor de Nilópolis
Cartaz do enredo da Beija-Flor para 2026
Reprodução
Resumo rápido
Que horas desfila: entre 23h20 e 23h30
Enredo: “Bembé”
Cores: 🔵⚪ Azul e branco
Quantos títulos no Grupo Especial: 15
Ano do último título: 2025 (relembre aqui como foi)
O enredo em 10 pontos
Enredo e Samba: Beija-Flor leva para a Sapucaí o Bembé do Mercado
A ocupação do espaço público como ato de liberdade, resistência e autorreparação do povo preto após a abolição sem reparações.
O surgimento do Bembé do Mercado, em Santo Amaro da Purificação, como afirmação do Candomblé nas ruas.
A memória de João de Obá e do povo que transforma fé, corpo e ancestralidade em gesto político.
O despertar do Largo do Mercado ao som dos atabaques, transformando o espaço urbano em território sagrado.
A vida comunitária do mercado, onde comida, troca, trabalho e ritual se misturam como pulsos de existência.
A presença da arte preta do Recôncavo, com samba de roda, capoeira, Nego Fugido, Maculelê e outras tradições.
Os rituais do Candomblé, o xirê, os cânticos e a comunhão entre Orum e Ayê no chão da praça pública.
A entrega das oferendas a Oxum e Yemanjá como agradecimento, proteção e pedido de continuidade da vida.
O cortejo pelas ruas de Santo Amaro até o mar de Itapema, unindo cidade, rio e oceano em ritual coletivo.
A travessia simbólica do Bembé até a Sapucaí, onde a Beija-Flor transforma a Avenida em espaço de fé, festa e resistência.
Cante o samba
A Beija-Flor vai levar o maior candomblé de rua do mundo pra Sapucaí; veja o samba
Autores: Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane, João Conga, Salgado Luz, Julio Assis, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves, Claudio Russo e Léo do Piso
Intérpretes: Ninno do Milênio e Jéssica Matin
Atabaque ecoou, liberdade que retumba
Isso aqui vai virar macumba!
Deixa girar que a rua virou Bembé
Deixa girar que a rua virou Bembé
O meu Egbé faz valer o seu lugar
Laroyê, Beija-Flor, alafiá!
Não me peça pra calar minha verdade
Pois a nossa liberdade não depende de papel
Em Santo Amaro, todo Treze de Maio
Nossa ancestralidade é festejada à luz do céu
Ê ê… João de Obá, griô sagrado
Ê ê… herança viva no Mercado
Cantando, saudamos a nossa fé
Às nações do Candomblé
Onde a paz e o respeito
Ressoam no couro do axé Funfun
Não tememos ataque algum
A rua, ocupamos por direito
Põe erva pra defumar
Um ebó pra proteger
Saraiêiê bokunan, saraiêiê!
Nosso povo é da encruza
Arte preta de terreiro
É mistura de cultura
Multidão de macumbeiro
O povo gira no xirê, a celebrar…
A fé se espalha em cada canto, em cada olhar
Transborda magia no toque do tambor
Às Yabás, o balaio e o amor…
Yemanjá alodê no mar (no mar)
É d’Oxum toda beleza do ibá
É reza no corpo, é dança na alma
A rosa, a palma, o omolocum…
É Dona Canô de todo recanto
Evoco a Baixada de Todos os Santos!
Quem é quem
Lorena Raissa, rainha de bateria da Beija-Flor de Nilópolis
Reprodução/ TV Globo
Carnavalesco: João Vitor Araújo
Diretor de Carnaval: Marquinho Marino
Intérpretes: Ninno do Milênio e Jessica Martin
Mestres de Bateria: Rodney e Plínio
Rainha de Bateria: Lorena Raissa
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Claudinho e Selminha Sorriso
Comissão de Frente: Jorge Teixeira e Saulo Finelon
3. Unidos do Viradouro
Cartaz do enredo da Viradouro de 2026
Reprodução
Resumo rápido
Que horas desfila: entre 0h55 e 1h15
Enredo: “Para cima, Ciça!”
Cores: 🔴⚪Vermelho e branco
Quantos títulos no Grupo Especial: 3
Ano do último título: 2024 (relembre aqui como foi)
O enredo em 10 pontos
Enredo e Samba: Viradouro 2026
A celebração de Mestre Ciça em vida, como símbolo do samba, da bateria e da história da Unidos do Viradouro em seus 80 anos.
A origem do samba moderno no Estácio, berço de uma revolução rítmica que mudou o jeito de desfilar e sambar.
A formação de Ciça no chão do Carnaval, primeiro como passista e mestre-sala, aprendendo o samba pelo corpo.
A transição do bailarino para o percussionista, desenhando o ritmo com baquetas, caixas e surdos.
A consagração de Ciça como Mestre de Bateria na Estácio de Sá, com inovações que marcaram época e renderam títulos.
A criação de uma linguagem própria na bateria, com pausas, suspensões e ousadias que encantaram a Sapucaí.
A passagem de Ciça por diferentes escolas e territórios do samba, espalhando seu estilo e sua influência.
A chegada à Viradouro e a transformação da bateria em um furacão rítmico, misturando técnica, magia e ancestralidade.
O papel da bateria como espaço de aprendizado coletivo, disciplina, convivência e formação humana.
A Apoteose como afirmação de Ciça como lenda viva do carnaval, cujo legado segue pulsando além do desfile.
Cante o samba
Viradouro vai homenagear o mestre Ciça; veja o samba
Autores: Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Anderson Lemos, Sandrinho e Thiago Meiners
Intérprete: Wander Pires
Se eu for morrer de amor, que seja no samba
Sou Viradouro, onde a arte o consagrou
Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres, herdei o tambor
Eu vi… a vida pulsar como fosse canção
Milhões de compassos pra eternizar
Em cada batida do meu coração
O som que reflete o seu batucar
Lá, onde o samba fez berço, do alto do morro
Um menino orgulha Ismael, bicho novo
Forjado nas garras do velho leão
Contam no Largo do Estácio
O destino em seu passo
Que fez, pouco a pouco, uma chama acender
Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger
Quando o apito ressoa, parece magia
Num Trem Caipira, no olhar da baiana
Medalha de Ouro, suingue perfeito
Que marca no peito da escola de samba
Se a vida é um enredo, desfilou outros amores
Maestro fez do couro sinfonia
Na ousadia dos seus tambores
Peça perfeita pra me completar
Feiticeiro das evocações
Atabaque mandou te chamar
Pra macumba jogar poeira
No alto, vai resistir a caixa de Moacyr
Legado do Mestre Caveira
Sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você
Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender
E, hoje, aos teus pés
Somos todos um nessa Avenida
Num furacão que nunca vai ter fim
Nossa história não encontra despedida
Quem é quem
Juliana Paes no minidesfile da Viradouro
Leo Franco/AgNews
Carnavalesco: Tarcísio Zanon
Diretores de Carnaval: Alex Fab e Dudu Falcão
Intérprete: Wander Pires
Mestre de Bateria: Ciça
Rainha de Bateria: Juliana Paes
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Julinho e Rute
Comissão de Frente: Rodrigo Negri e Priscilla Mota
4. Unidos da Tijuca
Cartaz do enredo da Unidos da Tijuca para 2026
Reprodução
Resumo rápido
Que horas desfila: entre 2h30 e 3h
Enredo: “Carolina Maria de Jesus”
Cores: 🔵🟡Azul e amarelo
Quantos títulos no Grupo Especial: 4
Ano do último título: 2014 (relembre aqui como foi)
O enredo em 10 pontos
Enredo e samba: Unidos da Tijuca homenageia a escritora Carolina Maria de Jesus
A infância de Bitita no interior de Minas Gerais, marcada pela oralidade, pela sabedoria dos mais velhos e pelo desejo de conhecer as palavras.
A passagem de Bitita a Carolina Maria de Jesus, quando entende que a escrita e a assinatura são formas de existir no mundo.
A descoberta precoce do racismo e da falsa promessa da abolição, vivida na pele de uma mulher negra e pobre.
A violência sofrida por ousar estudar, ler e carregar um dicionário, símbolo do saber negado.
A migração em busca de outros caminhos e a experiência do trabalho doméstico, sem abrir mão da vocação literária.
A chegada a São Paulo e o destino imposto às margens da cidade, na favela do Canindé.
A sobrevivência como catadora de papel e mãe, transformando restos em sustento e em escrita.
A publicação de “Quarto de Despejo” e a exposição crua da miséria urbana, que incomodou elites e autoridades.
O silenciamento posterior da escritora quando tentou romper o papel limitado de “favelada que escreve”.
A permanência do legado de Carolina Maria de Jesus como voz dos marginalizados e inspiração para outras gerações de escritoras e escritores negros.
Cante o samba
Tijuca canta Carolina Maria de Jesus; veja o samba
Autores: Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca
Intérprete: Marquinhos Art’Samba
Muda essa história, Tijuca!
Tira do meu verso a força pra vencer
Reconhece o seu lugar e luta
Esse é nosso jeito de escrever
Eu sou filha dessa dor
Que nasceu no interior de uma saudade
Neta de Preto Velho
Que me ensinou os mistérios
Bitita cor, retinta verdade
Me chamo Carolina de Jesus
Dele herdei também a cruz
Dele herdei também a cruz
Olhe em mim, eu tenho as marcas
Me impuseram sobreviver
Por ser livre nas palavras
Condenaram meu saber
Fui a caneta que não reproduziu
A sina da mulher preta no Brasil
Os olhos da fome eram os meus
Justiça dos homens não é maior que a de Deus
Meu quarto foi despejo de agonia
A palavra é arma contra a tirania
Sonhei sobre as páginas da vida
Ilusões tolhidas no sistema algoz
Que tenta apagar nossa grandeza
Calar a realeza que resiste em nós
Dos salões da burguesia aos barracos do Borel
Onde nascem Carolinas
Não seremos mais os réus
Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados
Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado
Meu país nasceu com nome de mulher
Sou a liberdade, mãe do Canindé
Quem é quem
Mileide Mihaile no ensaio da Tijuca
Anderson Bordê/AgNews
Carnavalesco: Edson Pereira
Diretores de Carnaval: Fernando Costa e Elisa Fernandes
Intérprete: Marquinhos Art’Samba
Mestre de Bateria: Casagrande
Rainha de Bateria: Mileide Mihaile
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Matheus Miranda e Lucinha Nobre
Comissão de Frente: Bruna Lopes e Ariadne Lax