Projeto que nasceu no Oeste Paulista completa 30 anos como referência mundial na conservação de antas
09/05/2026
(Foto: Reprodução) Entre as principais ameaças enfrentadas pela anta no Brasil e na América Latina, estão a caça, atropelamentos e mortes
Gabriel Marchi
O que começou em 1996 como um estudo de ecologia no Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), transformou-se na maior referência mundial sobre o maior mamífero terrestre da América do Sul.
A Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ) completou 30 anos de atuação com números impressionantes e um papel vital na manutenção das florestas brasileiras.
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Ao longo dessas três décadas, o projeto já capturou 571 antas, monitorou 160 por meio de colares de telemetria e identificou outros 600 indivíduos através de armadilhas fotográficas em cinco biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal.
A anta é conhecida como a "jardineira da floresta" por sua capacidade de dispersar sementes e ajudar na regeneração da vegetação.
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No Morro do Diabo, um estudo de longo prazo (realizado entre 2004 e 2014) comprovou que a presença desses grandes herbívoros é fundamental para desacelerar a perda de diversidade em florestas tropicais.
Pesquisadores compararam áreas de floresta onde esses animais circulam livremente com áreas cercadas, que impediam seu acesso. O resultado indicou que as áreas com presença dos herbívoros tiveram menor perda de diversidade de plantas. Os animais contribuem para o equilíbrio da floresta principalmente por meio da dispersão de sementes e da influência na regeneração das plantas.
O estudo, publicado no Journal of Applied Ecology, também alerta que a ausência desses animais pode alterar significativamente a composição da floresta, o que já ocorre em vários fragmentos da Mata Atlântica devido à caça, atropelamentos e perda de habitat.
Os pesquisadores defendem que a conservação e a reintrodução desses grandes herbívoros são estratégias importantes para restaurar ecossistemas florestais e proteger a biodiversidade, principalmente em florestas maduras, que se mostraram mais beneficiadas pela presença desses animais.
Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ) completou 30 anos de atuação
Gabriel Marchi
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Conhecimento científico
Atualmente, a INCAB-IPÊ atua em cinco biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Os estudos da equipe multidisciplinar já produziram dados que ampliaram o conhecimento científico sobre a espécie.
Entre os achados, os pesquisadores descobriram que as antas são poligâmicas, ao contrário do que se pensava, e registraram a presença do animal na Caatinga, bioma onde a espécie havia sido classificada como localmente extinta.
Além disso, estudos de toxicologia com antas levaram à identificação de populações humanas contaminadas por agroquímicos e metais no Cerrado do Mato Grosso do Sul.
“Fazer conservação no mundo de hoje não é uma tarefa simples. É uma luta constante, repleta de desafios. O fato de termos, aqui no nosso país, um projeto desse porte e com essa longevidade é absolutamente incrível e motivo de enorme orgulho e celebração", afirma Patrícia Medici, coordenadora da INCAB-IPÊ.
Medici ainda destaque que, de maneira geral, a conservação de espécies não é vista como prioridade e requer muito apoio. "Ao longo desses 30 anos, tivemos a parceria institucional e financeira de centenas de pessoas e organizações, sobretudo internacionais, o que nos permitiu chegar tão longe com esse trabalho”.
Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), é símbolo de preservação
Fundação Florestal
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