Poder feminino: mulheres comandam justiça, educação e defesa de direitos no ES

  • 08/03/2026
(Foto: Reprodução)
Poder feminino: mulheres comandam justiça, educação e defesa de direitos no ES Pela primeira vez na história, mulheres estão à frente de algumas das principais instituições do Espírito Santo. Justiça, educação, advocacia e políticas de enfrentamento à violência contra a mulher têm lideranças femininas em cargos que, durante décadas, foram ocupados apenas por homens. Neste domingo (8), quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, o g1 publica esta reportagem especial sobre mulheres que atualmente ocupam posições de liderança no estado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Entre as personagens estão: A primeira presidente do Tribunal de Justiça do estado (TJES); A primeira reitora do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes); A primeira mulher eleita para presidir a Ordem dos Advogados do Brasil no estado (OAB-ES); Uma delegada que lidera o atendimento especializado às vítimas de violência; Uma advogada que se tornou uma influenciadora digital com grande alcance no Brasil ao falar sobre direitos das mulheres, violência de gênero e igualdade. Desembargadora, reitora, advogadas e delegada compartilham trajetórias, desafios e conselhos para meninas e mulheres que querem liderar g1 ES Apesar desses avanços, a presença feminina em espaços de poder ainda está longe de refletir a realidade da população. Mulheres são maioria no Brasil, mas seguem sub-representadas em cargos de decisão, especialmente na política e em posições estratégicas dentro das instituições. Os dados mostram que o caminho ainda é desigual. Dos 78 municípios capixabas, apenas dois são governados por mulheres no mandato iniciado em 2025. São Domingos do Norte, com a prefeita Ana Malacarne, e Montanha, com a prefeita Iracy Baltar. Primeira mulher a presidir o Tribunal de Justiça Desembargadora Janete Varga Simões assumiu a presidência do Tribunal de Justiça do Espírito Santo Cacá Lima/Divulgação TJES A desembargadora Janete Varga Simões assumiu em 2025 a presidência do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, se tornando a primeira mulher a comandar a corte em 134 anos de história. Natural de Barra de São Francisco, na região Norte, ela tem 35 anos de carreira na magistratura. Para Janete, a liderança surgiu ao longo da trajetória profissional. “A liderança nunca foi um objetivo pessoal dissociado da missão institucional. Ao longo dos meus 35 anos na magistratura, percebi que poderia contribuir ainda mais assumindo responsabilidades maiores”, afirmou. Ao assumir o cargo, ela passou a ocupar um espaço que, historicamente, foi ocupado apenas por homens. Segundo a desembargadora, a presença feminina em posições de decisão muda a forma como as instituições são percebidas. “A presença feminina em espaços de decisão transforma a cultura institucional, amplia perspectivas e serve de inspiração para que outras mulheres não desistam de seus projetos”, disse. A primeira reitora do Ifes Adriana Piontkovsky Barcellos é primeira mulher eleita reitora do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) Carlos Alberto Silva/A Gazeta A professora Adriana Piontkovsky Barcellos também entrou para a história ao se tornar a primeira mulher eleita reitora do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Natural de São Roque do Canaã, no Noroeste do estado, ela tem 37 anos de atuação na educação e passou por diferentes funções na instituição antes de assumir a reitoria. Segundo Adriana, o caminho para a liderança foi construído ao longo da carreira. “Foi um processo construído ao longo da trajetória profissional. Fui sendo convidada a assumir funções de liderança a partir do trabalho, das relações construídas e do compromisso com a comunidade”, explicou. Ela afirmou que ocupar o cargo também tem um significado coletivo. “Sei que a minha eleição é simbólica para muitas mulheres que, ao verem uma mulher nesse lugar, passam a vislumbrar a possibilidade de um dia também chegarem a cargos de gestão.” A reitora também destacou a importância da educação para ampliar oportunidades. “Acreditem em si mesmas e em sua capacidade de transformar os espaços que ocupam”, disse ao comentar a presença feminina em posições de liderança. Primeira mulher a presidir a OAB no estado Erica Ferreira Neves é a primeira mulher eleita presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) Vitor Machado/Divulgação OAB A advogada Erica Ferreira Neves, de 51 anos, é a primeira mulher eleita presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES). Ela venceu a eleição de 2024 com 53% dos votos válidos e exerce mandato até 2027. Nascida em Belém do Pará, Erica afirma que nunca viu o fato de ser mulher como um limite. “Nunca achei ou identifiquei que ser mulher me limitava em fazer qualquer coisa. Sempre enxerguei os desafios sem colocar barreiras nos meus objetivos", explicou. Para ela, ocupar o cargo também representa uma mudança na forma como a advocacia feminina é percebida. “Exercer esse poder significa mudar a imagem da advocacia feminina capixaba. Sei que outras colegas se inspiram e que a sociedade passa a nos enxergar de forma diferente”. Segundo a advogada, um dos desafios é mudar estruturas históricas dentro das instituições. “Demora mais para confiarem que temos capacidade de decidir. Precisamos ter paciência para ir mudando os ambientes”. Liderança no enfrentamento à violência contra a mulher Delegada Cláudia Dematté está à frente da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher da Polícia Civil do Espírito Santo Fernando Madeira/A Gazeta Na segurança pública, a delegada Cláudia Dematté está à frente da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher da Polícia Civil, responsável por coordenar delegacias e projetos voltados ao enfrentamento da violência contra mulheres. Delegada há mais de 19 anos, ela afirmou que escolheu a profissão ainda jovem, ainda no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu. “Entrei no curso de Direito com o objetivo de ser delegada de polícia. Sempre quis exercer uma profissão que pudesse fazer diferença na sociedade. A presença de mulheres em cargos de liderança é crucial para uma gestão com respeito, equidade e humanização”, afirmou. Desde 2018, ela lidera a divisão especializada. “É uma responsabilidade muito grande estar à frente de um cargo de gestão como esse, mas também uma oportunidade de buscar resultados reais no enfrentamento à violência contra mulheres”, contou. Referência nacional no debate sobre crimes de gênero Advogada capixaba Fayda Belo atua na defesa dos direitos das mulheres e se tornou referência nacional em debates sobre crimes de gênero, feminicídio e direito antidiscriminatório. Arthur Ferreira A advogada capixaba Fayda Belo, de 44 anos, também atua na defesa dos direitos das mulheres e se tornou referência nacional em debates sobre crimes de gênero, feminicídio e direito antidiscriminatório. Natural de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, ela afirmou que decidiu ocupar espaços de liderança ao perceber a ausência feminina nesses ambientes. “Percebi que a ausência de mulheres em espaços de liderança nos tirava o protagonismo sobre nossa própria narrativa", disse. Fayda também destaca que, além do machismo, mulheres negras enfrentam outros desafios. “Além de mulher, sou uma mulher negra e enfrento diariamente também o racismo. Isso muitas vezes me fez repensar se valeria a pena continuar". Mesmo assim, ela afirma que ocupar esses espaços muda o cenário. “Quando uma mulher ocupa esse espaço, abre caminho para que outras avancem e novos modelos de liderança surjam”, disse. LEIA TAMBÉM: IBGE: Mulheres do ES estão tendo menos filhos e engravidando cada vez mais tarde INSPIRAÇÃO: Fotógrafa supera câncer de mama e cria projeto com ensaios gratuitos para mulheres em tratamento Mulheres na política: números ainda mostram desigualdade Os dados das eleições municipais de 2024 no Espírito Santo ajudam a dimensionar o pouco espaço ocupado pelas mulheres na política capixaba. Dos 78 municípios do estado, 19 mulheres se candidataram às prefeituras, contra 261 homens, o que representa 6,79% de candidaturas femininas ao cargo de chefe do Executivo municipal. Ao final da eleição, duas mulheres foram eleitas prefeitas, ambas ainda no primeiro turno. O número representa 2,63% do total de municípios capixabas. A participação feminina aparece em proporção maior nas candidaturas a vice-prefeitura. Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 63 mulheres disputaram o cargo de vice, o equivalente a 22,03% das candidaturas, enquanto 223 homens concorreram à função. Mesmo assim, a desigualdade permanece no resultado das urnas. Ao todo, sete mulheres foram eleitas vice-prefeitas, representando 9,21% dos eleitos, enquanto 69 homens assumiram o cargo, o equivalente a 90,79%. Inspiração e mensagens para outras mulheres Mais do que trajetórias individuais, as histórias dessas líderes também carregam um sentido coletivo. Ao falar sobre quem as inspirou e sobre os caminhos que percorreram, elas lembram das mulheres que vieram antes, mães, avós, professoras e referências que ajudaram a abrir portas. Em comum, todas deixam uma mensagem para meninas e mulheres que sonham em ocupar espaços de liderança: acreditar na própria capacidade, persistir diante das dificuldades e fortalecer redes de apoio entre mulheres. A delegada Cláudia Dematté lembra da influência da família "Eu venho de uma família de mulheres muito fortes, inspiradoras para mim. Minha avó Zilda e minha mãe sempre me mostraram que eu podia ser o que eu quisesse. No nosso Estado, temos muitas mulheres fortes ocupando cargos de liderança. É a gente nos apoiar, inspirar uma na outra e continuar essa luta com respeito e igualdade. Nunca desistam dos seus sonhos e nunca duvidem da própria capacidade. O espaço de poder também pertence às mulheres." A desembargadora Janete Varga Simões destaca referências familiares e coletivas "Minha mãe sempre foi minha referência. Mulheres vieram antes de mim — magistradas, educadoras e mulheres anônimas que, com coragem, sustentam suas famílias e enfrentam desigualdades diariamente. Sou fruto dessa construção coletiva. Que se preparem, estudem e confiem em si mesmas. Quanto mais mulheres nesses espaços, mais justa e igualitária será a sociedade." Erica Neves, presidente da OAB-ES, também destaca a importância das referências "Fui inspirada por muitas mulheres, mas minha mãe foi fundamental, criando todas as condições para que eu pudesse estudar. Acreditem em si mesmas e sejam rede de apoio a outras mulheres. Mulheres sustentam mulheres." Fayda Belo também compartilha suas inspirações "Na minha vida, minha mãe e minhas tias foram exemplos de coragem e liderança. Nunca deixem que digam até onde podem chegar. O nosso lugar é onde a gente quiser e se preparar para estar". Um encontro que não aconteceu, mas que inspirou a reportagem Quando a pauta começou a ser planejada, a ideia do g1 era reunir as cinco mulheres para uma foto em um cenário simbólico do Espírito Santo e registrar o encontro dessas lideranças em um único momento. Seria um retrato raro, mulheres que hoje ocupam posições estratégicas na justiça, na educação, na segurança pública e na defesa de direitos, mas conciliar as agendas se mostrou impossível. Durante semanas, a equipe tentou encontrar uma data comum. Entre viagens a trabalho e compromissos institucionais, as agendas se cruzavam entre Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro, além das atividades diárias em seus próprios cargos. Enquanto uma participava de audiências ou reuniões institucionais, outra estava envolvida em investigações, eventos acadêmicos ou compromissos administrativos. Havia também reuniões no Ifes, agendas na OAB, compromissos no Judiciário e atividades relacionadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. Mesmo sem conseguir reunir todas no mesmo lugar, as cinco aceitaram participar da reportagem e compartilhar suas trajetórias, desafios e reflexões sobre o significado de ocupar posições de liderança. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/03/08/poder-feminino-mulheres-comandam-justica-educacao-e-defesa-de-direitos-no-es.ghtml


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