Obras públicas paradas em São Paulo somam mais de R$ 542 milhões em contratos

  • 04/03/2026
(Foto: Reprodução)
34 obras públicas estão paradas na capital Em uma cidade em constante transformação, obras públicas que nunca ficaram prontas chamam a atenção de quem passa. São prédios de concreto abandonados, cercados por tapumes e mato alto, que simbolizam projetos interrompidos e dinheiro público parado. De acordo com estimativas do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), apenas na capital paulista há 34 obras públicas paralisadas, com contratos que somam mais de R$ 542 milhões. O valor não inclui gastos extras com manutenção e segurança dessas estruturas. Um dos exemplos mais antigos fica na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, no Mandaqui, Zona Norte. O conjunto de três prédios que deveria abrigar a sede da Polícia Militar começou a ser construído no fim da década de 1980, em um terreno da Escola Superior de Soldados do Barro Branco, mas a obra foi interrompida em 1992. Mesmo abandonado, o local tem guarita e vigilância 24 horas. Para moradores da região, o espaço poderia ter outra função. Sede do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo TCE-SP Em 2014, a PM informou que a empresa responsável pela obra havia falido e que o contrato foi encerrado, mas disse ter “interesse institucional” em concluir o projeto. Questionada novamente, a corporação afirmou que estuda medidas para a retomada da obra, com apoio técnico da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação. Suspeitas de corrupção Outro esqueleto de concreto está ao lado do Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste, e pertence ao Ministério Público de São Paulo. A construção foi interrompida em 2023 após surgirem suspeitas de irregularidades e corrupção. Segundo o órgão, além da investigação, foram detectados problemas nas medições da obra. Para a professora de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Monteiro, uma obra parada sempre gera impacto financeiro para o poder público. “Quem é responsável é o poder público. Se a obra para, os custos decorrentes dessa interrupção saem do orçamento. No fim das contas, é dinheiro do contribuinte”, explica. Segundo o TCE, em todo o estado de São Paulo existem 267 obras públicas paradas, com contratos que ultrapassam R$ 1,33 bilhão. Terreno da Unifesp Na Zona Sul, em Santo Amaro, outro espaço chama a atenção. Um terreno doado pela Prefeitura à Universidade Federal de São Paulo há cerca de 20 anos deveria ter sido usado para ampliar o campus em até quatro anos. A obra, porém, nunca saiu do papel. De acordo com o Tribunal de Contas da União, há 103 obras com investimento federal paradas na capital, mas o caso da Unifesp não entrou na lista porque a construção sequer foi iniciada. Agora, a promessa é que o local vire um hospital-escola, com 326 leitos para atendimento pelo SUS. O atendimento será de “porta fechada”, recebendo pacientes encaminhados por outras unidades, e a previsão é de que as obras comecem no segundo semestre. Para moradores e lideranças sociais da região, o terreno poderia ter outro destino. “Temos cerca de 300 famílias cadastradas que precisam de moradia, muitas em situação de extrema vulnerabilidade. Por que não pensar em algo social enquanto isso?”, questiona Paula Silva, fundadora da ONG Mãos que Alimentam. Em nota, a Polícia Militar informou que estuda as medidas necessárias para a retomada da obra, com apoio técnico da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação. Já o Ministério Público de São Paulo afirmou que, além da investigação por suspeita de corrupção, foram identificadas irregularidades nas medições da obra.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/04/obras-publicas-paradas-em-sao-paulo-somam-mais-de-r-542-milhoes-em-contratos.ghtml


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