No Sertão de Sergipe, seca avança sob influência do El Niño e deixa marcas no campo
07/08/2026
(Foto: Reprodução) Falta de chuva compromete produção de milho no sertão sergipano
No Sertão de Sergipe, a seca avança sob influência do El Niño e já deixa marcas no campo.
Do milho plantado com a expectativa de uma colheita farta, restaram lavouras que não vingaram. Nos últimos três anos, a região do Sertão de Sergipe celebrou safras recordes de milho. Agora, o cenário é outro. Um produtor perdeu 400 toneladas do grão.
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“Investimento alto. O mesmo investimento do ano passado e de todo ano que a gente faz a mesma coisa. Ano passado, nessa mesma área a gente produziu 34 sacas por tarefa e no mesmo investimento e hoje, esse ano, não está produzindo nada como dá para ver”, conta o produtor Silvair Teles de Andrade.
A maioria das lavouras da região está como assim: a planta até cresceu um pouco, mas não conseguiu se desenvolver porque a chuva tão esperada nos meses de maio e junho, decisiva para a formação das espigas e dos grãos, não chegou. Praticamente todos os produtores do Sertão perderam a safra.
No Sertão de Sergipe, seca avança sob influência do El Niño e deixa marcas no campo
Jornal Nacional/ Reprodução
O El Niño é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e das nuvens. No Nordeste, o fenômeno pode reduzir as chuvas. No Sertão de Sergipe, choveu 30% menos que no mesmo período de 2025. As perdas já atingem 2 mil produtores. Agricultores, agora, trituram o que restou das plantações para aproveitar na alimentação do rebanho, e mesmo assim não será suficiente.
“Esse aqui ele vai aproveitar, no máximo, para fazer silagem. Mas está sabendo que vai ser uma silagem pobre porque não tem grão. Não tem grão, não tem espiga, só tem massa verde e de baixa qualidade”, diz Luciano Firmino, engenheiro agrônomo da Endagro.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, a redução da safra de milho em todo estado é de 35%. Para quem depende da terra, a preocupação não se limita a essa safra, mas a incerteza do futuro próximo.
“Não teve milho, e agora não tem água também. Aí vai ser difícil”, diz o produtor rural José Alves da Silva.
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