Mais depoimentos e perícia em corpo: Justiça de SC acata 35 pedidos nas investigações da morte do cão Orelha; veja quais
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Ânderson Silva fala sobre a Justiça de SC acatar 35 pedidos sobre morte de cão Orelha
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) acatou 35 pedidos do Ministério Público do Estado (MPSC) para ampliar as investigações sobre os atos análogos a maus-tratos no caso dos cães Orelha e Caramelo e os crimes de coação e ameaça ligados aos episódios na Praia Brava, em Florianópolis.
De acordo com investigação da Polícia Civil, o cão Orelha foi agredido em 4 de janeiro. No dia seguinte, ele foi encontrado por moradores e levado ao veterinário, mas não resistiu aos ferimentos.
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Caso Orelha: MPSC aponta lacunas em inquéritos de maus-tratos e coação
O colunista da NSC Ânderson Silva teve acesso exclusivo ao despacho judicial, feito na terça-feira (10). Entre os pedidos aceitos pela Justiça está o de exumação do corpo do cão.
Os pedidos buscam aprofundar a investigação de diversos atos infracionais atribuídos a adolescentes, incluindo furto qualificado, injúria, ameaça e maus-tratos a animais.
O juiz André Milani postergou a análise do pedido da Polícia Civil de internação do adolescente apontado como suspeito da morte de Orelha. Segundo ele, a análise será feita “a se considerar a devolução de todos os procedimentos investigatórios à autoridade policial para realização de diligências objetivando a melhor apuração dos fatos”.
O magistrado também autorizou:
em diversos depoimentos, é necessária a identificação;
o depoimento de novas testemunhas;
a reinquirição de veterinários;
esclarecimentos técnicos sobre o estado de saúde dos animais;
a exumação do corpo de Orelha.
Cão Orelha era querido pelos moradores da Praia Brava, em Florianópolis
Reprodução/Redes sociais
A perícia no corpo do cão será feita pela Polícia Científica, confirmou a Secretaria da Comunicação de Santa Catarina. No exame, o MPSC pediu que, se possível, os peritos verifiquem:
lesões;
fraturas;
indiquem se os ferimentos seriam recentes;
perícia seja registrada com fotografias.
Além disso, o MPSC questionou os critérios usados pela polícia para apontar apenas um adolescente como autor dos maus-tratos, apesar da presença de outras pessoas nas imagens analisadas. Também determinou esclarecimentos sobre eventuais omissões, contradições em depoimentos e até a identificação de um suposto policial que aparece em áudio anexado pela defesa.
O MP também pede mais esclarecimentos sobre um furto qualificado em um quiosque da Praia Brava. O juiz ordenou:
a coleta e juntada de imagens que comprovem o arrombamento e os danos ao estabelecimento;
vídeos de câmeras de segurança;
geolocalização dos celulares dos adolescentes;
identificação da origem das gravações que circularam entre testemunhas.
Também determinou que a polícia esclareça quais imagens foram exibidas aos adolescentes durante os depoimentos para reconhecimento de pessoas.
Em relação às suspeitas de crimes de injúria e ameaça, o juiz acatou o pedido do MPSC e determinou:
apresentação de vídeos mencionados por testemunhas;
a tomada de depoimento de novas pessoas indicadas nos depoimentos, incluindo a mãe de um dos adolescentes;
a juntada integral das gravações de monitoramento.
Por fim, a decisão exige que a autoridade policial organize e apresente todo o material audiovisual de forma completa e detalhada, indicando os trechos considerados relevantes para a investigação, e realize quaisquer outras diligências que se mostrem necessárias.
Cão Orelha morava na Praia Brava
Reprodução/Redes sociais
Polícia Civil apontou adolescente como autor das agressões
Segundo a polícia, não há imagens nem testemunhas do momento exato da agressão. Um laudo indireto, baseado em atendimento veterinário, apontou que a causa da morte foi um golpe na cabeça por objeto contundente.
O inquérito sobre a morte do cão Orelha foi concluído em 3 de fevereiro e a Polícia Civil apontou um adolescente como responsável pelas agressões que resultaram na morte do animal e pediu a internação dele. Três adultos também foram indiciados por suspeita de coação no processo.
Na sexta-feira (6), o MPSC já havia informado que ia solicitar novas diligências e esclarecimentos à Polícia Civil sobre os inquéritos que investigam os atos análogos a maus-tratos no caso dos cães Orelha e Caramelo e os crimes de coação e ameaça ligados aos episódios na Praia Brava, em Florianópolis.
Infográfico - cão Orelha
Arte/g1
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