Lula reúne ministros nesta quarta em meio a ofensivas dos EUA contra o Brasil

  • 03/06/2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza nesta quarta-feira (3) a segunda reunião ministerial de 2026, em meio a ofensivas dos Estados Unidos contra o Brasil. Entre os assuntos estão a proposta de novas taxas a mercadorias brasileiras e o anúncio do Departamento de Estado norte-americano de classificar facções criminosas como organizações terroristas estrangeiras. Esse será o primeiro encontro coletivo do presidente Lula com sua equipe ministerial desde as trocas na Esplanada em abril por conta do fim do prazo para desincompatibilização. 🔎O prazo de desincompatibilização é o período legal em que um ocupante de cargo ou função pública (como ministros, secretários, juízes ou diretores de estatais) deve se afastar de suas atividades para poder concorrer a um mandato eletivo. Ao todo, 18 ministérios tiveram troca de titular. O último encontro neste formato foi no fim de março deste ano. Há expectativa de que o presidente e ministros abordem, em suas falas, temas que passaram a integrar o debate eleitoral, entre eles: possibilidade de nova taxação dos EUA; classificação de facções como organizações terroristas; fim da jornada de trabalho com escala 6x1; indicação de Jorge Messias ao STF. Sobretaxa de 25% Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outros. A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Em nota, o governo brasileiro afirmou ter recebido o relatório dos EUA "com indignação" e que o documento foi feito após "provocação da família Bolsonaro". Para o governo, o documento é uma tentativa de ingerência em temas internos. Durante discurso em Catalão, Goiás, nesta terça-feira (2), Lula cobrou do presidente norte-americano Donald Trump uma reunião e afirmou que espera um telefonema para que Trump explique as medidas anunciadas. Facções como organizações terroristas Na semana passada, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo brasileiro ainda avalia as consequências das medidas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que se reunirá nos próximos dias com autoridades dos Estados Unidos para discutir a decisão do país. No dia seguinte ao anúncio, o presidente Lula disse que o governo brasileiro pretende combater internamente o crime organizado e que não vai aceitar intervenções internacionais. Fim da escala 6x1 A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada e teve o apoio dos deputados dos partidos que compõem a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta terça-feira (2), o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a Casa não pode ser obrigada a "carimbar" a PEC que acaba com a escala 6x1, de autoria de deputados. A PEC foi enviada pela Câmara ao Senado na quinta-feira (28), um dia após ser aprovada pelos deputados. No mesmo dia, Alcolumbre enviou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma outra PEC que trata da jornada de trabalho. Indicação de Messias ao STF Em uma derrota histórica para o governo, o Senado rejeitou, em abril, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na mesma semana, o Congresso derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados no 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, adversário político do petista. Na semana passada, Lula afirmou que vai reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF), que está em aberto desde o ano passado.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/06/03/lula-reune-ministros-nesta-quarta-em-meio-a-ofensivas-dos-eua-contra-o-brasil.ghtml


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