Inquérito aponta que dentista influencer e sobrinho não têm aptidão para realizar 'mini lifting facial'

  • 27/05/2026
(Foto: Reprodução)
Confira detalhes do depoimento da dentista Mariana Laranja indiciada por lesão corporal O inquérito que terminou com o indiciamento de dois dentistas do Espírito Santo por lesão corporal culposa, após pacientes relatarem deformidades e complicações permanentes resultantes de procedimento cirúrgico facial, apontou que os profissionais não atendem aos requisitos técnicos mínimos e não demonstram aptidão para a realização de técnicas cirúrgicas invasivas de maior complexidade. Mariana Barros Laranja Roeder, de 44 anos, e o sobrinho e sócio dela, Nathan Laranja Roeder Holz, de 25 anos, são acusados de causar graves sequelas no rosto de três mulheres depois de realizarem o procedimento chamado "mini lifting" facial. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp 🔎 O mini lifting facial é um procedimento cirúrgico de rejuvenescimento que envolve incisões na face, descolamento da pele e reposicionamento de tecidos faciais. A dentista também é influenciadora e soma mais de 400 mil seguidores nas redes sociais, onde compartilha vídeos de procedimentos estéticos, imagens de antes e depois de pacientes e registros da rotina pessoal e de viagens. Em depoimentos prestados em abril deste ano no âmbito do inquérito obtido com exclusividade pelo Gazeta Meio Dia (TV Gazeta) e pelo g1, Mariana Laranja e Nathan Laranja negaram qualquer irregularidade ou ilegalidade nos procedimentos. Os dentistas disseram aos investigadores que atuaram dentro de sua área de especialização e que os riscos seriam inerentes ao procedimento. Mariana disse ainda que faz cirurgias de mini lifting há dois anos, realizando, em média, uma por dia. Ela disse à polícia que tem especialização em harmonização orofacial e ortodontia, e sustentou que o procedimento está inserido em sua área de atuação. No entanto, no caso das três pacientes citadas no inquérito, quando as cirurgias foram realizadas (dezembro de 2025), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) não permitia que dentistas realizassem lifting e mini lifting facial. A proibição estava prevista na resolução nº 230 do conselho. O entendimento do CFO mudou apenas em março de 2026. A resolução n° 286 reconheceu a cirurgia estética orofacial como especialidade odontológica. Com isso, dentistas passaram, sim, a poder realizar mini lifting facial, desde que possuam habilitação específica e registro regular. Atualmente, no Espírito Santo, não há nenhum dentista habilitado e registrado para fazer cirurgia estética da face, segundo o Conselho Regional de Odontologia (CRO-ES), conforme afirmou Luciene Martins, dentista especialista em harmonização orofacial e integrante da Câmara Técnica do órgão: "Nós não temos nenhum cirurgião-dentista, hoje, que tenha feito a inscrição, tenha dado entrada na inscrição do nosso Conselho de Classe (para realizar mini lifting)." A defesa de Mariana Laranja afirmou que a profissional possui "atuação consolidada e registro regular como especialista em Harmonização Orofacial". Sobre a investigação criminal, destacou que o indiciamento é apenas uma etapa inicial e que o Ministério Público solicitou perícias técnicas complementares. Confira o posicionamento na íntegra abaixo. Mariana Barros Laranja Roeder, de 44 anos, e o sobrinho e sócio Nathan Laranja Roeder Holz, de 25, foram indiciados por lesão corporal culposa após procedimentos de mini lifting facial realizados em clínica de Vila Velha, Espírito Santo Reprodução/Rede social Conforme os dados do CFO: O Brasil tem 469 mil dentistas registrados; Do total, apenas 107 estão aptos a realizarem cirurgias da face, como o minilifting; Nenhum dos profissionais que podem realizar o procedimento atua no Espírito Santo. Com a especialização em harmonização orofacial que possuem, Mariana e Nathan estão aptos a realizarem procedimentos como botox, fios de PDO e preenchimento com ácido hialurônico, mas não cirurgias faciais. Segundo Luciene Martins, para realizar mini lifting facial, o profissional precisa ter habilitação específica em cirurgia estética da face, com especialização de 3 mil horas, ou formação em cirurgia bucomaxilofacial e harmonização orofacial, ambas registradas no CFO. Ela afirmou que, até 20 de maio de 2026, nenhum dentista havia solicitado registro para atuar oficialmente com cirurgia estética orofacial no Espírito Santo. LEIA TAMBÉM: Dentista influencer é indiciada pela PC por lesão corporal após pacientes ficarem deformadas em procedimento irregular no ES 'Meu rosto ficou com duas feridas abertas', diz paciente após procedimento estético com dentista indiciada Procedimentos eram realizados sem exames prévios Em seu depoimento, Mariana Laranja também declarou que não solicita que as pacientes apresentem exames laboratoriais prévios porque considera o procedimento minimamente invasivo. Segundo a dentista, no entanto, ela informa o risco aos pacientes. As mulheres citadas no inquérito, no entanto, afirmam o contrário. Uma delas disse que Mariana informou que seria um procedimento indolor, rápido e de fácil recuperação. Outra paciente afirma que a dentista "vendeu (o procedimento) como se não fosse uma cirurgia. Ela falou que não era uma cirurgia." “Não me foi perguntado se eu tinha algum problema de coagulação ou diabetes, nada. Nem se eu já tinha feito alguma cirurgia antes”, contou Júlia (nome fictício dado a uma das três pacientes ouvidas no inquérito policial, que não quis se identificar). O termo de consentimento assinado pelas pacientes, porém, descreve o procedimento como cirurgia plástica. No documento, que foi assinado pelas mulheres, é dito que há riscos de inflamação, necrose e até choque anafilático. No mesmo termo, a palavra "dentista" não é mencionada, mas "médico" aparece 11 vezes. Dentista influencer é indiciada após pacientes relatarem deformidades e lesões após procedimento estético irregular no Espírito Santo Arquivo pessoal Depoimento de Nathan Laranja Durante o depoimento do sobrinho e sócio de Mariana, Nathan Laranja, ele afirma que atua em conjunto com a dentista há aproximadamente seis anos. O CRO, no entanto, informou que ele é registrado como dentista há pouco menos de 3 anos, e como especialista em harmonização orofacial, há menos de 1 ano. Segundo o documento, Mariana realizava as incisões e o descolamento da pele. Nathan atuava nas suturas. Pacientes possuem relatos semelhantes Na internet, a dentista divulga o procedimento como minimamente invasivo, e foi essa aparente simplicidade que atraiu as três mulheres citadas no inquérito para a clínica da investigada, em dezembro de 2025. Segundo tabela de preços divulgada no site da dentista, o procedimento custa R$ 10 mil, cerca de um quinto do valor cobrado, em média, por cirurgiões plásticos. As pacientes ouvidas pela polícia têm 42, 48 e 60 anos. A pedido delas, que preferiram não ter as identidades reveladas, o g1 utiliza nomes fictícios de Ana, Renata e Júlia. "Ana" contou à polícia que sentiu dores intensas, enjoo e hipotermia ainda nas primeiras horas após o procedimento. Dias depois, houve abertura das feridas no rosto. "Renata" relatou sangramentos persistentes, secreções e abertura da ferida cirúrgica. Ela precisou passar por sessões de câmara hiperbárica e buscar atendimento médico externo em uma clínica especializada, onde disse ter conhecido outras mulheres com lesões semelhantes. "Eu encontrava pessoas na recepção com os mesmos curativos que eu no rosto. Aí perguntavam: 'Foi também com a doutora Mariana?'. E eu falava: 'Foi'", lembrou. Já "Júlia" desenvolveu um quadro de infecção grave com secreção purulenta e exposição de tecido após rompimento da pele. As três afirmaram que precisaram recorrer a antibióticos, enfermeiras particulares, tratamentos regenerativos e acompanhamento com cirurgiões plásticos após o agravamento das lesões. Três pacientes relataram deformidades, infecções graves e complicações permanentes após mini lifting facial realizado pela dentista Mariana Laranja. Espírito Santo TV Gazeta Clínica estava com o alvará sanitário vencido há três meses Segundo o inquérito, quando os procedimentos foram realizados, a clínica funcionava com o alvará sanitário vencido havia três meses. A Vigilância Sanitária de Vila Velha foi procurada para esclarecer quais atividades são autorizadas no Instituto Laranja, clínica da dentista Mariana Laranja, incluindo se o alvará sanitário permite a realização de cirurgias com descolamento tecidual, como o "mini lifting facial", e se a licença sanitária do estabelecimento está regular. Em nota, foi informado que a empresa da dentista recebeu licença sanitária em 14 de setembro de 2022 para exercer a atividade de “odontologia com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos”. Segundo o órgão, o documento tinha validade até 14 de setembro de 2025. Um pedido de renovação da licença sanitária foi protocolado em 3 de outubro de 2025 e ainda segue em tramitação. Sobre a realização de procedimentos invasivos, como o “mini lifting facial”, a Vigilância Sanitária informou que esse tipo de atividade é avaliada durante o processo de licenciamento e nas ações de fiscalização. No entanto, afirmou que, “até a conclusão da análise do processo de licenciamento sanitário, não é possível afirmar objetivamente quais procedimentos específicos encontram-se autorizados”. A Vigilância Sanitária não esclareceu quais procedimentos estão efetivamente autorizados ou se nesse período a clínica pode realizar qualquer tipo de procedimento. Instituto Laranja, onde atuam Mariana e Nathan Laranja, fica na Praia da Costa, em Vila Velha, Espírito Santo TV Gazeta Equipes do Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) e da Vigilância Sanitária chegaram ao Instituto Laranja, na Praia da Costa, em Vila Velha, na Grande Vitória, às 15h desta quarta-feira (27). A fiscalização foi realizada um dia depois do caso ser divulgado com exclusividade pela TV Gazeta e pelo g1. O instituto não funcionou nesta quinta e os responsáveis nao estavam no local, conforme formado pelos fiscais ao saírem do estabelecimento, por volta das 16h30. Os fiscais da Vigilancia Sanitária não quiseram gravar entrevista. A Prefeitira de Vila Velha foi procurada para informar qual foi o teor da fiscalização, que tipo de material foi recolhido e quais tipos de atividades podem funcionar no local. Em nota, disse que "durante a inspeção, foram identificadas alterações nos processos de trabalho em relação às condições observadas no último licenciamento sanitário e em fiscalizações anteriores". Diante das constatações técnicas verificadas, a empresa foi notificada a realizar procedimentos exclusivamente com artigos descartáveis ou a garantir o reprocessamento dos materiais por empresa especializada, conforme estabelecem as normas sanitárias vigentes. A Vigilância Sanitária esclareceu ainda que a empresa recebeu licença sanitária em 14 de setembro de 2022 para exercer atividade odontológica com recursos destinados à realização de procedimentos cirúrgicos odontológicos. O processo de renovação da licença encontra-se atualmente em análise técnica. Questões relacionadas à conduta profissional, à regularidade do exercício da odontologia e à eventual realização de procedimentos incompatíveis com as atribuições legais dos profissionais são de competência do Conselho Regional de Odontologia. Procedimento extrapolava limites da odontologia, diz polícia A Polícia Civil concluiu que o procedimento extrapola os limites permitidos para profissionais especializados apenas em harmonização orofacial. "A imperícia se evidencia na realização de procedimento cirúrgico invasivo possivelmente além dos limites legais da atuação odontológica", afirma o relatório. O que diz a defesa dos dentistas Nesta quarta-feira (27), o escritório Jordan Neves Advogados, que representa os dentistas Mariana e Nathan Laranja, informou que não teve prazo minimamente razoável para exercício pleno da ampla defesa e do contraditório. Disse ainda que eventuais manifestações serão oportunamente apresentadas dentro de prazo hábil e razoável, mas não disse uma data específica. A defesa ainda argumentou que os danos relatados são intercorrências clínicas inerentes à resposta biológica individual de cada paciente, estando previstos em termos de consentimento. O advogado reitera que os dois dentistas sempre prestaram suporte pós-procedimento aos seus pacientes. Confira na íntegra o posicionamento enviado pelo escritório Jordan Neves Advogados, que representa os dentistas Mariana e Nathan Laranja: "O Instituto Laranja, por meio de sua responsável técnica Dra. Mariana Barros Laranja Roeder, vem a público prestar esclarecimentos acerca das informações recentemente divulgadas envolvendo procedimentos estéticos faciais realizados na clínica. Inicialmente, é importante esclarecer que a Dra. Mariana é cirurgiã-dentista regularmente inscrita no Conselho Regional de Odontologia, com formação, especializações e atuação consolidada na área de Harmonização Orofacial, exercendo suas atividades há anos de forma pública, técnica e profissional, inclusive com participação em cursos, mentorias e capacitações nacionais e internacionais. Os procedimentos mencionados nas recentes divulgações ocorreram dentro de contexto profissional regularmente exercido, em cenário normativo que, à época dos fatos, encontrava-se em ampla discussão técnica e jurídica em todo o país quanto à atuação odontológica em procedimentos estéticos faciais. Importante destacar que o próprio Conselho Federal de Odontologia editou posteriormente a Resolução CFO nº 286/2026, reconhecendo formalmente a Cirurgia Estética Orofacial como especialidade odontológica, inclusive contemplando procedimentos estéticos faciais específicos dentro da atuação do cirurgião-dentista habilitado. Também existem precedentes judiciais relevantes questionando limitações anteriormente impostas por normas administrativas elacionadas ao tema, o que evidencia a existência de debate jurídico e regulatório legítimo sobre a matéria. Esclarece-se ainda que o indiciamento mencionado representa etapa inicial investigativa, não equivalendo a condenação, responsabilização definitiva ou conclusão pericial final acerca dos fatos. Inclusive, o próprio Ministério Público requereu complementação das investigações e realização de laudos periciais técnicos antes de qualquer conclusão definitiva. Como ocorre em qualquer procedimento estético ou cirúrgico, existem intercorrências clínicas inerentes à resposta biológica individual de cada paciente, circunstâncias amplamente conhecidas na literatura técnica e previamente esclarecidas nos documentos de consentimento apresentados aos pacientes. A Dra. Mariana sempre permaneceu à disposição para acompanhamento e suporte pós-procedimento, dentro dos limites técnicos e clínicos aplicáveis, reiterando seu compromisso com a ética, responsabilidade profissional, transparência e respeito aos pacientes. O Instituto Laranja reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal, esclarecendo que toda defesa técnica e jurídica será apresentada integralmente nas vias apropriadas e perante as autoridades competentes. A complexidade técnica, normativa e pericial envolvida no caso exige cautela na divulgação de informações ainda submetidas à análise das autoridades responsáveis. O Instituto Laranja confia que qualquer divulgação pública observará os princípios da responsabilidade jornalística, imparcialidade, contextualização adequada dos fatos e presunção de inocência, evitando conclusões precipitadas ou interpretações descontextualizadas". Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/05/27/inquerito-aponta-que-dentista-influencer-e-sobrinho-nao-tem-aptidao-para-realizar-mini-lifting-facial.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes