Governo brasileiro manifesta 'indignação' após conclusão de investigação dos EUA e cita ameaça ao PIX
02/06/2026
(Foto: Reprodução) O governo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (2), indignação com a conclusão preliminar de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
O processo, conhecido como "Seção 301", apura supostas práticas comerciais desleais do Brasil e pode resultar em tarifas sobre produtos nacionais
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De acordo com a nota oficial a qual o blog teve acesso, a investigação foi motivada por "provocação da família Bolsonaro" e é vista pelo Itamaraty como uma tentativa de ingerência em temas internos
O governo criticou a atuação de "falsos patriotas" que usariam cargos públicos para conspirar contra os interesses do país (leia mais abaixo).
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Ameaça ao PIX e superávit dos EUA
Um dos pontos centrais da tensão é a menção explícita ao PIX — sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC) — nas recomendações preliminares dos EUA.
O governo brasileiro defende que o sistema é uma "infraestrutura pública, gratuita e neutra", operada pelo Banco Central, e que empresas norte-americanas já participam ativamente desse ecossistema.
"O PIX é infraestrutura pública e gratuita de pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil e de grande aceitação pela população. Suas regras aplicam-se de forma uniforme e neutra, e empresas norte-americanas participam ativamente desse ecossistema. O Brasil é o segundo maior mercado mundial das duas principais redes de cartão de crédito dos EUA", diz um dos trechos.
Para rebater as acusações de desequilíbrio comercial, o Brasil apresentou números que favorecem os americanos:
Superávit acumulado: nos últimos 15 anos (2011-2025), os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões com o Brasil.
Dados de 2025: apenas no ano passado, o saldo positivo para os EUA foi de US$ 40,52 bilhões (bens e serviços).
Tarifas baixas: atualmente, 76% das importações dos EUA entram no Brasil sem pagar imposto, com uma alíquota média efetiva de apenas 3,1%.
Lula anunciou acordo no mês passado para negociar impasse sobre tarifas e investigação comercial americana
Ricardo Stuckert/Divulgação
Argumentos ambientais e de propriedade intelectual
O Brasil também utilizou dados técnicos para refutar as justificativas da investigação:
Meio Ambiente: o governo destacou que o desmatamento na Amazônia Legal recuou cerca de 50% em relação a 2022, e a área queimada no país caiu 40% em 2025.
Patentes: os EUA são os maiores beneficiários do sistema de patentes brasileiro, respondendo por 30% dos pedidos. O pagamento de royalties aos americanos dobrou entre 2020 e 2024, atingindo US$ 1,38 bilhão.
Etanol e Açúcar: o país aponta que, enquanto o Brasil é aberto ao etanol americano, o açúcar brasileiro enfrenta tarifas de até 80% nos EUA.
Queda nas exportações e 'Lei de Reciprocidade'
O clima de incerteza já impacta os negócios. Segundo o governo, no primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor nível da série histórica.
"O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%.", menciona outro trecho.
Apesar do embate, a nota cita que existe uma tentativa de solução diplomática. Para tanto, cita a reunião entre o presidentes Lula e Trump em 7 de maio.
Na ocasião, os dois líderes estabeleceram um prazo até 15 de julho para que negociações tarifárias encerrem a investigação sem a imposição de sanções.
Caso as tarifas sejam confirmadas, o Brasil afirmou que poderá acionar a Lei de Reciprocidade.
A legislação, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, autoriza o Estado a adotar medidas para enfrentar injustiças comerciais que não tenham amparo nas regras internacionais