Estatais federais registram rombo de R$ 5,1 bilhões em 2025, segundo pior da história
30/01/2026
(Foto: Reprodução) O Banco Central informou nesta sexta-feira (30) que as empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 5,13 bilhões em 2025.
🔎O termo "déficit" significa que o gasto somado dessas estatais foi maior que a receita que elas conseguiram gerar no ano.
Em 2024, o resultado também foi negativo, mas em maior proporção: R$ 6,73 bilhões (recorde anterior).
O maior superávit foi apurado em 2019, no valor de R$ 10,3 bilhões.
O rombo de 2025 foi o segundo pior desde o início da série histórica, em 2002.
A série do Banco Central, que tem início em 2002, não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos).
O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante.
Entram nesse cálculo empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.
O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por "acima da linha" (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida).
➡️ O resultado das empresas estatais já está afetando as contas públicas. Por conta do rombo acima do autorizado, o governo foi obrigado a bloquear R$ 3 bilhões no orçamento em 2025. São recursos que poderiam ser liberados para outras áreas.
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Correios e Eletronuclear
Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em 2026
➡️O resultado ruim foi agravado, principalmente, pelos Correios, que passa por grave crise fiscal, com forte piora do seu resultado financeiro em 2025.
🔎 Os Correios possuem monopólio em serviços como o recebimento, transporte e entrega de cartões-postais e correspondência, além da fabricação de selos.
Em 2024, o déficit dos Correios foi de mais de R$ 2,5 bilhões. No acumulado até setembro de 2025, o prejuízo foi de R$ 6 bilhões – e pode ter chegado a R$ 10 bilhões no ano fechado (resultado ainda não foi divulgado).
Em entrevista à GloboNews no ano passado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo não tem planos para pôr os Correios à venda, ao contrário do que pretendia o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Não vejo um debate dentro do governo sobre privatizar Correios. Não vejo isso acontecer da parte de nenhum ministro que tenha proposto isso. Inclusive porque fizemos levantamento mais recente sobre a situação dos serviços postais no mundo. E é muito difícil um Estado nacional abrir mão de serviços postais, até porque parte dos quais são mesmo subsidiados para garantir a universalização”, disse Haddad, na ocasião.
Em dezembro, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras bancárias (com garantia do Tesouro Nacional), para quitar dívidas e aliviar o caixa.
Rombo bilionário de estatais pressiona contas públicas, desafia Orçamento do governo e prejudica investimentos
Jornal Nacional/ Reprodução
E o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, afirmou, no fim do ano passado, que os Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira da empresa — o que poderá ocorrer por meio de aportes do Tesouro Nacional ou através de um novo empréstimo.
➡️Ao mesmo tempo, a Eletronuclear, responsável por usinas nucleares, informou que está em um "nível de caixa totalmente baixo".
Por conta disso, seu diretor-presidente interino, Alexandre Caporal, informou ao g1 em dezembro que a empresa só vai conseguir honrar seus compromissos por um período relativamente curto de prazo, de dois a três meses.
O principal problema, segundo ele, é a interrupção das obras da usina de Angra 3, algo que está drenando recursos públicos.
Caporal disse que a estatal não deve pedir aporte de recursos ao Tesouro Nacional mas informou que será necessário que bancos públicos que emprestaram quase R$ 7 bilhões à estatal suspendam temporariamente a cobrança da dívida.
Sem essa interrupção, explicou ele, a empresa vai "sangrar até morrer".
Posição do governo
Questionado pelo g1, o Ministério da Gestão, responsável pelas empresas estatais, informou que, até o terceiro trimestre de 2025, as empresas estatais registraram um faturamento de R$ 1,02 trilhão, resultado 6,3% superior ao de igual período de 2024.
A pasta também destacou que os investimentos realizados pelas empresas também aumentou.
"O investimento das companhias também cresceu, pelo terceiro ano consecutivo. No acumulado até o terceiro trimestre de 2025, o investimento realizado por essas companhias somou R$ 86,4 bilhões, um crescimento de 34,3% em relação ao mesmo período de 2024. Entre 2022 e 2024, o investimento das estatais federais já havia aumentado 87%, em termos nominais", afirmou a Gestão.
Sobre os déficits, a pasta não comentou.