Especialistas defendem nova reforma da previdência e apresentam como referência pontos que ficaram de fora das regras aprovadas em 2019

  • 04/02/2026
(Foto: Reprodução)
Números revelam urgência da discussão de uma nova reforma da previdência O debate sobre a importância de uma reforma administrativa ganhou força depois de o Congresso aprovar, na terça-feira (3), reajustes para servidores da Câmara dos Deputados e do Senado. Com a volta do recesso e das votações no Legislativo, especialistas recomendam o exame de outra discussão relevante para o país: uma nova reforma da Previdência. Os números revelam a urgência desse debate. O gráfico do Ministério da Fazenda mostra a trajetória do aumento da despesa de benefícios, aposentadorias e pensões do INSS em relação ao Produto Interno Bruto, o PIB. Em azul, a trajetória prevista antes da reforma da previdência, aprovada pelo Congresso em 2019. A linha laranja mostra que a reforma conseguiu reduzir bem a projeção de crescimento dos gastos. Ainda assim, a linha laranja projeta que em 2060 a despesa com o INSS vai ultrapassar 12% do PIB, tornando-se quase insustentável. Em 2025, as despesas com o INSS estouraram pela primeira vez a casa do R$ 1 trilhão e devem passar de 8% do PIB, de acordo com a estimativa do governo. A diferença entre o que havia em caixa e o que o governo federal teve que colocar a mais para honrar os compromissos do INSS foi de mais de R$ 320 bilhões – R$ 17 bilhões a mais do que no ano anterior. A reforma da previdência de 2019 avançou em vários pontos para reduzir o déficit. “É certamente a reforma previdenciária mais ampla e mais completa que foi feita no Brasil. Ela, por exemplo, acabou com um instituto que é a aposentadoria por tempo de contribuição, que o Brasil e mais quatro países no mundo tinham só. Ela criou, também, uma forma de cálculo mais adequada do valor da aposentadoria. Ela corrigiu várias distorções que nós tínhamos”, afirma Paulo Tafner, diretor-presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social. “Ela foi extremamente potente, porque significou que aquelas pessoas que antes se aposentavam em torno de 48, 50 anos, agora terão o seu período de permanência no mercado de trabalho aumentado em oito, nove, dez anos”, diz o pesquisador da FGV Fábio Giambiagi. Mas as mudanças não foram suficientes. O Brasil passa por um envelhecimento da população mais rápido do que o de países europeus. No ano 2000, a expectativa média de vida do brasileiro era de 71 anos. Em 2020, subiu para quase 75. Em 2050 vai ultrapassar os 81 anos. A previsão do Ministério da Previdência é de que o número de aposentados dobre nos próximos 30 anos, enquanto o número de pessoas que pagam a contribuição ao INSS permaneça o mesmo. Especialistas defendem nova reforma da previdência e apresentam como referência pontos que ficaram de fora das regras aprovadas em 2019 Jornal Nacional/ Reprodução Cinco especialistas ouvidos pelo Jornal Nacional defendem uma nova reforma e apresentam como referência pontos que ficaram de fora das regras aprovadas em 2019. Uma das propostas era criar um gatilho de ajuste automático da idade mínima de aposentadoria à expectativa de vida do brasileiro. Na época, deputados e senadores não aprovaram a ideia. Vinte e quatro dos 38 países da OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, adotam esse tipo de mecanismo. “É positivo que a gente esteja vivendo mais, mas é fundamental que a gente ajuste o sistema de previdência a essa nova realidade demográfica, até para evitar que a gente gere um custo muito grande para gerações futuras. A ideia é que, à medida que a expectativa de vida vai aumentando, você automaticamente também vai ajustando a idade de aposentadoria ou também o valor do benefício”, diz o economista Rogério Nagamine. Outra proposta derrotada no Congresso era igualar a idade mínima de aposentadoria do trabalhador rural com a do trabalhador urbano. Hoje, a diferença é de cinco anos no caso dos homens e de sete anos entre as mulheres - 65% do déficit do INSS em 2025 vieram das aposentadorias rurais. “No passado, fazia todo sentido o trabalhador rural se aposentar mais cedo porque, em média, o aposentado rural falecia sete anos mais jovem do que o urbano. Nas últimas décadas, melhorou muito a qualidade da vida rural, felizmente, e hoje a expectativa média de sobrevida do aposentado, seja urbano ou rural, é a mesma. Não faz mais nenhum sentido essa aposentadoria antecipada”, afirma Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS. Para enfrentar o rombo nas contas, especialistas afirmam que a reforma teria que voltar a tratar dos servidores públicos. A reforma de 2019 avançou ao uniformizar algumas regras do funcionalismo e do setor privado. Mas permaneceram muitas exceções. Em 2025, o governo federal teve que colocar mais de R$ 62 bilhões para cobrir o rombo das aposentadorias públicas – R$ 7 bilhões a mais do que em 2024. Estados e municípios ficaram fora da reforma ampla de 2019. “A gente fala muito de governo federal, de funcionalismo público federal, mas os estados e os municípios têm déficits gigantes, compatíveis com o tamanho do déficit do governo, só que a expectativa de crescimento é bem menor. Então, você acaba tendo, de alguma forma, um buraco na previdência dos estados e municípios muito grande”, afirma o economista Alexandre Chaia. "Se a gente não fizer um ajuste, se planejar para esse médio e longo prazo, a gente vai estar jogando um custo muito grande para as gerações futuras. Quanto mais tempo nós demorarmos a se ajustar a esse futuro que já está contratado, mais bruscas tendem a ser as reformas no futuro", afirma Rogério Nagamine. LEIA TAMBÉM Aposentadoria em 2026: veja o que mudou e como calcular a sua Veja o que muda na aposentadoria do INSS para quem começou a contribuir antes da reforma da previdência

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/02/04/especialistas-defendem-nova-reforma-da-previdencia-e-apresentam-como-referencia-pontos-que-ficaram-de-fora-das-regras-aprovadas-em-2019.ghtml


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