É #FAKE que Brasil perdeu vaga em comissão de direitos humanos da OEA e foi classificado como 'país governado por ditador'

  • 09/04/2026
(Foto: Reprodução)
É #FAKE que Brasil perdeu vaga na comissão de direitos humanos da OEA por ser classificado como 'país governado por ditador' Reprodução Circula nas redes sociais um post alegando que o Brasil teria perdido uma vaga na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), parte da OEA (Organização dos Estados Americanos), por ter sido classificado pela organização como "um país governado por um ditador". É #FAKE. g1 📲 Como o conteúdo chegou ao Fato ou Fake? Leitores enviaram a publicação ao nosso WhatsApp: +55 (21) 97305-9827. 🛑 Como é o material? Ele exibe uma foto gerada por inteligência artificial (IA) que mostra o presidente Lula (PT) em pé. Ao fundo, há uma ilustração do mapa do Brasil em chamas, sobre o qual está fincada uma bandeira vermelha com símbolo comunista (foice e martelo), em amarelo. O conteúdo exibe este título: "Percebeu a ditadura do governo Lula. Por 23 votos a 3, o Brasil perdeu a vaga na eleição para a Comissão de Direitos Humanos da OEA". Abaixo, outro bloco de texto diz: "O Brasil foi classificado pela OEA, como um país governado por um ditador! Não fará parte da comissão de Direito! Gente, é pra hoje!!! Durante 24 HS é pra postar essa foto em todas as redes sociais, vai ser a maior manifestação virtual contra Lulaladrão... ajude... senta o dedo. Ditadores não entram na OEA". Mas isso é mentira. Na verdade, o Brasil abriu mão da vaga que disputava na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) após um acordo diplomático com o México. O post também mente ao alegar que a OEA classificou o país como "liderado por um ditador". Ao Fato ou Fake, a organização afirmou não fez nenhuma declaração nesse sentido e que o conteúdo é "completamente falso" (leia mais abaixo). A foto voltou a viralizar no WhatsApp e em redes sociais como Facebook, Instagram e Threads em fevereiro e em março deste ano, mas circula na internet desde julho de 2025. A primeira versão do material não inclui o trecho "O Brasil foi classificado pela OEA como um país governado por um ditador! Não fará parte da comissão de Direito!", que começou a aparecer em posts de outubro do ano passado. ⚠️ Por que isso é mentira? Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa da OEA desmentiu o material e lamentou a divulgação de publicações falsas. Veja um trecho da nota, enviada por e-mail: "A Organização dos Estados Americanos (OEA) não emitiu nenhuma declaração — seja em comunicado à imprensa, no Facebook ou por qualquer outro canal — classificando o Brasil como um país governado por uma ditadura. A informação contida no panfleto é completamente falsa. Lamentamos que este conteúdo esteja sendo apresentado como se fosse originário da Organização. A disseminação de informações imprecisas dessa natureza prejudica importantes processos institucionais, bem como os princípios fundamentais de nossas democracias e o bom funcionamento de nossa Organização e seus órgãos" (leia a íntegra ao final desta checagem). Além disso, o Brasil não "perdeu a vaga", como diz a fake. O que aconteceu foi que Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) abriu mão da candidatura ao posto. Anunciada em julho do ano passado, a decisão foi tomada em um momento de tensão, após os Estados Unidos anunciarem o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. À época, o candidato do país, Fábio de Sá e Silva, afirmou: "Me parece que o Brasil quis fazer um gesto generoso em relação ao México, um gesto que não era necessário, porque o Brasil vinha vencendo as eleições, mas que busca não tensionar as relações entre os países". A votação havia começado no mês anterior e definiria os ocupantes de três cadeiras da CIDH. A primeira rodada elegeu Rosa María Payá, candidata dos EUA apoiada pelo governo de Donald Trump, e Marion Bethel, de Bahamas. Mas o terceiro continuou indefinido. Isso porque Sá e Silva, anunciado em março como candidato pelo governo brasileiro, empatou com o mexicano José Luis Caballero Ochoa, que tentava reeleição. Como nenhum dos dois alcançou os 18 votos exigidos, a definição foi adiada para 11 de julho. Naquela data, Benoni Belli, representante permanente do Brasil na OEA, pediu que os demais países considerassem votar em Ochoa, afirmando que seria uma maneira de evitar mais um impasse. Disse ainda que a delegação brasileira o apoiaria. Antes do início da nova rodada, Belli declarou: "Amadurecemos a reflexão sobre o processo e sobretudo sobre a importância de evitar que o prolongamento do impasse gere incerteza jurídica no momento em que precisamos de uma CIDH atuante e fortalecida". O placar final foi de 23 votos para Ochoa e três para Sá e Silva, com cinco abstenções. Leia a nota da OEA na íntegra: "A Organização dos Estados Americanos (OEA) não emitiu nenhuma declaração — seja em comunicado à imprensa, no Facebook ou por qualquer outro canal — classificando o Brasil como um país governado por uma ditadura. A informação contida no panfleto que você compartilhou é completamente falsa. Lamentamos que este conteúdo esteja sendo apresentado como se fosse originário da Organização. A disseminação de informações imprecisas dessa natureza prejudica importantes processos institucionais, bem como os princípios fundamentais de nossas democracias e o bom funcionamento de nossa Organização e seus órgãos. Para contextualizar, o conteúdo parece se referir à eleição de membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Na Assembleia Geral realizada em Antígua e Barbuda em 2025, foram realizadas eleições para preencher três vagas na Comissão, com mandatos a partir de 1º de janeiro de 2026. Dois comissários foram eleitos, enquanto a votação para a terceira vaga resultou em empate. A Assembleia Geral, portanto, determinou que o Conselho Permanente convocasse uma sessão para realizar uma nova votação para preencher essa terceira vaga. Esta eleição ocorreu durante uma sessão extraordinária do Conselho Permanente em 11 de julho de 2025 (ver vídeo). No início da sessão, a delegação brasileira explicou que, após amplas consultas, concluiu que era provável que uma nova votação resultasse novamente em empate e que seu governo desejava evitar prejuízos ao trabalho da CIDH. Acrescentou ainda que, considerando que todos os comissários eleitos tanto na Assembleia Geral quanto no Conselho Permanente assumiriam seus cargos em 1º de janeiro de 2026, o governo brasileiro avaliou que prolongar o impasse e a consequente incerteza jurídica, em um momento em que uma CIDH forte é necessária, poderia afetar negativamente a promoção e a proteção dos direitos humanos no hemisfério. O Embaixador agradeceu então aos Estados-membros que apoiaram o candidato brasileiro e convidou as delegações a votarem no candidato mexicano. A Comissão é composta por sete membros independentes eleitos a título pessoal pelos 34 Estados-membros da OEA, de acordo com o Artigo 3º do Estatuto da CIDH; não se trata de uma instância na qual cada país ocupe um assento. Portanto, o resultado de uma eleição não implica a inclusão ou exclusão de qualquer país". Presidente Lula e Fábio de Sá e Silva em encontro que definiu a candiatura na OEA, em março de 2025 Reprodução/Acervo Pessoal É #FAKE que Brasil perdeu vaga na comissão de direitos humanos da OEA por ser classificado como 'país governado por ditador' Reprodução Em reunião da OEA, Brasil sai da linha diplomática e adota tom duro pra classificar a prisão de Maduro Veja também É #FATO: Vídeo mostra canguru recebendo carinho em zoológico na China É #FATO: Vídeo mostra canguru recebendo carinho de visitantes em zoológico na China VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica . .. É #FAKE VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

FONTE: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/noticia/2026/04/09/e-fake-que-brasil-perdeu-vaga-em-comissao-de-direitos-humanos-da-oea-e-foi-classificado-como-pais-governado-por-ditador.ghtml


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