'Coração' das orquestras de frevo, tradição do clarins que anunciam carnaval sofre com falta de apoio: 'A gente toca por amor'
05/02/2026
(Foto: Reprodução) A importância dos clarins no carnaval
Quando os clarins tocam no carnaval, a certeza é uma só: a folia vai começar. Com som agudo e forte, o instrumento de sopro da família dos metais, caracterizado pela ausência de pistões, é quem anuncia a chegada das orquestras de frevo (veja vídeo acima).
A tradição sonora herdada das bandas militares sofre com a falta de apoio financeiro às agremiações do carnaval, que influencia no baixo cachê dos artistas.
"Tem agremiações aqui em que a gente quase toca de graça, porque, de tanto tempo que a gente toca... Por exemplo, faz mais de 28 anos que a gente toca na Pitombeira. E tem o Galo, que já faz mais de 30 anos. A gente toca por amor", disse o músico e militar reformado André Luiz.
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À frente das orquestras, os clarins marcam o início e o fim dos desfiles e fazem paradas estratégicas para homenagens, funcionando como um chamado. Para manter viva essa marca tão importante do carnaval, conjuntos de clarinistas do Grande Recife apostam na renovação de gerações.
Segundo o empreendedor Paulo Reinaldo, integrante do grupo Clarins de Olinda, sem verba suficiente para manter a estrutura das bandas, os músicos mal conseguem dar conta da demanda vinda dos blocos durante o período de carnaval.
"Os clarins hoje são bem procurados. Para você ter ideia, não temos clarins suficientes para todos os blocos. Os grandes pedem dez clarins. E mandamos oito, mandamos seis, e vamos dividindo para ninguém ficar sem clarins e sem tocar", disse.
"Tradição boca a boca"
Diferentemente de outros instrumentos, não há partituras para aprender os toques do clarim. O aprendizado se dá "de ouvido", sendo passado de músico para músico, como explica o produtor Yonay Queiroz, do grupo Clarins de Olinda. Um dos projetos da entidade é criar uma escolinha.
“É a tradição, o boca a boca. Começou nas bandas com os chamados 'músicos de ouvido', que eram músicos que escutavam e sabiam a posição da nota”, explica.
O músico André dos Clarins contou que o instrumento teve origem no contexto militar e, a partir das bandas marciais, acabou se encontrando com o frevo.
"Toquei na banda do Dom Bosco de Olinda, que formou uma fanfarra e veio às ruas tocando corneta de um pisto. E os clarins faziam o 'jogo da nota' para fazer o frevo", contou.
O promotor de vendas Vinícius Alexandre também participou de uma banda marcial e se apaixonou pelo som dos clarins ao ver um músico tocando.
“O primeiro clarim de Olinda foi o 'Vinte e Um', que era um guarda municipal. A gente via ele tocando e, através dele, eu e meu irmão, ainda pequenos, fomos escutando os tons. Como éramos de banda marcial, nosso pai comprou um clarim e a gente foi aprendendo”, disse.
Clarins anunciam o frevo durante o carnaval
Reprodução/TV Globo
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