Conheça a história de Mister Hull, engenheiro inglês que dá nome a uma avenida em Fortaleza

  • 03/04/2026
(Foto: Reprodução)
Av. Mister Hull é porta de entrada de Fortaleza pela Regional 3 Inglaterra, África do Sul, Rússia e o atual território do Iraque são alguns dos lugares que aparecem na biografia de Francis Reginald Hull, conhecido como Mister Hull. Mas foi pelas contribuições no Ceará que ele acabou tendo o nome eternizado em uma das principais avenidas de Fortaleza. A história do Mister Hull no Ceará começou em 1913, quando chegou para administrar a implantação das ferrovias nas linhas que ligavam Fortaleza a Sobral e a Baturité. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Antes disso, o engenheiro britânico já havia ajudado a construir ferrovias nas regiões serranas de São Paulo, além de atuar em obras de reservatórios e sistemas de distribuição de águas no Reino Unido. Após idas e vindas das suas missões pelo mundo, Mister Hull se fixou em Fortaleza, onde morou até falecer. Ele participou ativamente da vida da cidade e contribuiu como astrônomo amador para estudos sobre as secas do Ceará. A avenida Mister Hull está localizada na Regional 3 de Fortaleza e passa pelos bairros Antônio Bezerra, Padre Andrade, Pici e Presidente Kennedy. Também integram a Regional 3 os bairros Quintino Cunha, Olavo Oliveira, Bairro Ellery, Monte Castelo, São Gerardo, Parquelândia, Amadeu Furtado, Rodolfo Teófilo, Farias Brito e Parque Araxá. 🎉 A cidade de Fortaleza completa 300 anos no dia 13 de abril de 2026. O g1 Ceará publica uma série de reportagens contemplando histórias e curiosidades de todas as regionais até a data do aniversário da capital cearense. A Parquelândia é o único bairro da região com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) inferior a 0,007, considerado médio. Outros bairros têm IDH baixo (São Gerardo, Amadeu Furtado, Farias Brito e Parque Araxá), enquanto os demais têm índices considerados muito baixos. Leia as reportagens já publicadas: Antigo hidroporto e atual cartão postal, Barra do Ceará tem relação com o nascimento da cidade de Fortaleza De vila pesqueira a polo de lazer: como a Beira-Mar movimenta o turismo de Fortaleza e é destino para corredores Aventuras pelo mundo Avenida Mister Hull, em Fortaleza, homenageia engenheiro britânico que instalou ferrovias no Ceará. Thiago Gadelha/SVM/Arquivo Nirez “A vida de Francis Hull poderia servir de inspiração para um romance ou um filme épico de aventuras”. Esta frase foi escrita em 1987 por Rubens de Azevedo, astrônomo cearense que dá nome ao planetário de Fortaleza. O texto foi publicado na revista do Instituto do Ceará, entidade dedicada à difusão da história, geografia e ciências do estado. No artigo, Rubens de Azevedo tenta resumir os acontecimentos da vida do Mister Hull ao refletir sobre a importância dele para os estudos sobre meteorologia no Ceará. ➡️ Francis Reginald Hull nasceu em Wimbledon, um distrito de Londres, em 1872. Ele tinha 20 anos quando veio ao Brasil pela primeira vez e atuou como engenheiro-assistente na São Paulo Railway, fazendo levantamentos topográficos e trabalhando no ramal ferroviário da Serra do Mar. No ano seguinte, voltou à Inglaterra para continuar os estudos em astronomia e agrimensura (conhecimentos que auxiliam na medição e mapeamento de terrenos). O engenheiro tinha 41 anos quando chegou ao Ceará. Em 1913, ele foi nomeado para o cargo de superintendente-geral da Brazil North Eastern Railway, responsável pelas estradas de ferro de Sobral e Baturité. Instaladas no Ceará no fim do século XIX, as ferrovias tiveram impacto na economia e na vida social do estado, com trens que interligavam cidades e facilitavam o fluxo de mercadorias e informações entre locais distantes. 🌎 Intercalando com outras vindas ao Brasil, Mister Hull encarou uma série de missões variadas pelo mundo. Confira abaixo: 📍 África do Sul: foi encarregado de perfurar minas de ouro 📍 Grã-Bretanha: supervisionou serviços de abastecimento de água e construção de represas. 📍 Atual Iraque: após ser chamado durante a Primeira Guerra Mundial, em 1915, e se unir aos Engenheiros Reais das Forças Armadas Britânicas, serviu no território do atual Iraque e assumiu o cargo de Governador da Mesopotâmia. 📍 Rússia: foi nomeado como consultor militar para assuntos ferroviários de uma missão britânica na Rússia, tendo recebido condecorações do czar Nicolau II e do rei George V, da Inglaterra. O retorno ao Brasil foi em 1921, quando se tornou vice-cônsul do Reino Unido na cidade de Ilhéus, na Bahia. Neste período, o Mr. Hull também foi o responsável pela construção da ferrovia que conectou Ilhéus a Vitória da Conquista, favorecendo o escoamento do cacau. O geógrafo Julian Hull, filho do Mister Hull, relatou que a passagem do pai pela Bahia rendeu também um momento em que ele foi retratado na literatura brasileira. Segundo o filho, Jorge Amado se inspirou no Mr. Hull para criar um dos personagens do romance “São Jorge de Ilhéus”, publicado em 1944. Na obra, o escritor baiano cita os engenheiros ingleses que atuavam nas estradas de ferro na região. O professor Julian Hull continuou os estudos do pai e era um entusiasta de sua biografia. Ele faleceu em 1998. Em entrevista ao Programa de História Oral da Universidade Federal do Ceará (UFC), realizada em convênio com o Arquivo Nacional, Julian disse acreditar que a família Hull estava praticamente extinta e que ele poderia ser um dos seus últimos representantes. Vida em Fortaleza Em imagem da Praça do Cristo Redentor em 1938, o sobrado onde Mister Hull viria a morar está escondido por uma árvore. Arquivo Nirez/Acervo Digital de Fortaleza Em 1933, Mister Hull tinha 61 anos e voltou ao Ceará. Segundo Rubens de Azevedo, este segundo momento foi quando ele veio para ficar, passando a se dedicar exclusivamente aos estudos sobre meteorologia. Foi neste período que ele também exerceu o cargo de vice-cônsul no Ceará. De acordo com Angela Barros Leal, jornalista e associada efetiva do Instituto do Ceará, o engenheiro montou, na própria casa, um observatório para contemplar os astros no céu de Fortaleza. Por vários anos, a residência de Mr. Hull era um sobrado que ficava em frente à ladeira da Prainha, na Praia de Iracema (confira foto acima). Da casa dele, era possível ver a Praça do Cristo Redentor, que já possuía a Torre do Cristo Redentor, inaugurada em 1922. Nos dias atuais, o local deste sobrado fica próximo à entrada do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Depois da morte dele, o imóvel foi comprado por um empresário. Posteriormente, a casa foi desapropriada para as obras do equipamento cultural. Como aponta Angela, os locais por onde ele morou e trabalhou ficavam próximos ao Centro. Como a sede da empresa Ceará Light, que ficava nas proximidades do Passeio Público. Desta forma, não é possível estabelecer uma relação clara entre a região onde viveu Mr. Hull e a avenida que leva seu nome, interligando Fortaleza e Caucaia. Os registros de Rubens Azevedo apontam que o engenheiro era um apaixonado pelo Ceará. Ele contou que Mr. Hull era sempre encontrado nos clubes da capital, nas solenidades cívicas e festas da cidade, além de organizar bailes carnavalescos na rua onde morava. Estudos sobre as secas O interesse de Francis Hull pelo ciclo das secas no Ceará começou desde a sua primeira temporada no estado. Quando se estabeleceu em Fortaleza pela segunda vez, ele deu continuidade a estas investigações. “Ele era um grande interessado em Fortaleza e no Ceará. Em termos de legado, o que ele fez muito foi essa pesquisa sobre qual a possibilidade de você prever a chegada das secas a partir de fatores climatológicos que ajudassem nisso, para não ficar na insegurança sobre ter inverno ou não”, contou Angela Barros ao g1. Observando os grandes períodos de estiagem, ele tentou encontrar uma relação entre os anos de seca no Ceará e o ciclo das manchas solares, divulgando seus achados em conferências e eventos científicos em Fortaleza à época. O objetivo dele era conseguir prever, a longo prazo, os anos de estiagem. Conforme o astrônomo Rubens de Azevedo, Mr. Hull se baseava em conhecimentos aprendidos com os mestres do Real Observatório de Greenwich, onde teve aulas no Reino Unido. A relação entre as manchas solares e o ciclo das secas foi um tema defendido também pelo filho dele, Julian Hull, que foi professor no Colégio Militar de Fortaleza. No entanto, este método de observação baseado nas manchas solares não é utilizado na meteorologia atual para o monitoramento das secas. Um último desejo Mr. Hull é uma das figuras ilustres do Ceará que estão enterradas no cemitério São João Batista. Daniel Aragão/SVM A paixão do engenheiro britânico pelo Ceará foi expressa em um pedido que ele deixou em seu testamento: que o corpo fosse envolvido na bandeira da Inglaterra, colocado em uma jangada e lançado no mar após uma distância de três milhas. “No episódio da jangada, seria do amor que ele tinha ao Ceará, mas, infelizmente na época, a polícia não consentiu num enterro dessa maneira, e ele está enterrado no cemitério São João Batista”, revelou Julian Hull, em entrevista duas décadas após a morte do pai. Ainda segundo o filho, o corpo dele foi enterrado com a farda do Exército Britânico e com a bandeira da Inglaterra. Mister Hull morreu em março de 1951, quando tinha 78 anos. A avenida que leva seu nome em Fortaleza tem cerca de seis quilômetros, começando próximo às rodovias estaduais CE-085 e CE-020 e terminando na avenida Bezerra de Menezes. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/04/03/conheca-a-historia-de-mister-hull-engenheiro-ingles-que-da-nome-a-uma-avenida-em-fortaleza.ghtml


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