Conheça a história da jovem goiana que ficou tetraplégica cinco vezes por causa de doença rara
04/03/2026
(Foto: Reprodução) Jovem com doença rara fica tetraplégica cinco vezes
A fisioterapeuta Roberta Rodrigues, de 33 anos, já ficou tetraplégica cinco vezes ao longo da vida por causa de uma doença neurológica rara e autoimune. Natural de Santa Fé de Goiás, cidade de cerca de 5 mil habitantes, ela precisou interromper estudos, carreira e planos diversas vezes, mas sempre voltou a andar, trabalhar e até correr.
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Roberta é fisioterapeuta intensivista, formada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Fez residência, passou em primeiro lugar em processos seletivos e concurso federal e hoje atua como preceptora no Hospital das Clínicas. Trabalhou na linha de frente da Covid-19 e se tornou referência na defesa da humanização na saúde.
“Ou eu estava doente ou estava correndo atrás do meu futuro de forma muito acelerada. Porque o tempo me foi tomado", relata.
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Jovem trabalha para voltar a andar novamente
Arquivo pessoal/ Roberta Rodrigues
Do Guillain-Barré ao CIDP
A primeira crise aconteceu em 2008, após ela tomar a vacina contra febre amarela. Poucas horas depois, começou a perder os movimentos das pernas. Em seguida, os braços também paralisaram.
Encaminhada para Goiânia, Roberta foi internada e piorou rapidamente.
“Eu fui paralisando tudo até que tive minha primeira parada respiratória e fui para a UTI. Fiquei entubada”, conta.
Na época, ela recebeu o diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que faz os músculos deixarem de responder. Inclusive o diafragma, responsável pela respiração.
Segundo o primeiro laudo médico, Roberta apresentou insuficiência respiratória e precisou passar por sessões de plasmaférese, tratamento que filtra o sangue para conter o avanço da doença. O quadro foi considerado grave.
Com o passar dos anos, porém, as crises voltaram. Diferentemente do que costuma acontecer nos casos clássicos de Guillain-Barré, em que há recuperação após a fase aguda, Roberta teve novas recaídas e passou a apresentar fraqueza persistente.
Os laudos mais recentes apontam que o diagnóstico evoluiu para Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica (CIDP), uma forma crônica da doença. Atualmente, ela convive com fraqueza nos quatro membros, faz tratamento contínuo com medicações específicas e precisa de reabilitação intensiva.
Segundo a fisioterapeuta Júlia Chaves, especialista em traumato-ortopedia e desporto, a CIDP é um distúrbio neurológico autoimune em que o sistema imunológico ataca as próprias células nervosas, provocando perda de força muscular.
“A perda da bainha de mielina faz com que os impulsos nervosos fiquem lentos ou sejam interrompidos, o que causa fraqueza muscular, dificuldade de locomoção e até problemas no controle da bexiga”, explica.
Roberta afirma que, apesar de ser uma doença crônica, há possibilidade de recuperação após as crises, com tratamento adequado e fisioterapia intensiva.
Jovem com doença rara fica tetraplégico, em Goiás
Arquivo pessoal/ Roberta Rodrigues
Corpo e mente fortes
Ao longo da vida, Roberta já ficou completamente paralisada cinco vezes. Em janeiro de 2025, após contrair Covid-19, teve uma nova crise grave.
“Eu fui para a UTI de novo, fiquei entubada e perdi todos os movimentos. Fiquei tetraplégica”, contou.
Ela passou pelo Crer, em Goiânia, e depois seguiu tratamento no Hospital Sarah, em Brasília, onde continua o acompanhamento.
Roberta acredita que o condicionamento físico sempre foi decisivo na recuperação. Antes dos 15 anos, praticava capoeira e manteve rotina intensa de treinos entre uma crise e outra.
“Eu sempre treinei muito para quando viesse a crise eu ter o que gastar.”
Segundo ela, todas as crises tiveram recuperação total dos movimentos, algo que atribui à preparação física e ao conhecimento técnico como fisioterapeuta.
Jovem que ficou tetraplégica começa a passar por novo tratamento
Arquivo pessoal/ Roberta Rodrigues
Novo tratamento e recuperação
Atualmente, Roberta faz uso de um medicamento que atua no sistema imunológico para reduzir os ataques contra o próprio organismo. O remédio passou a ser utilizado de forma preventiva, com aplicação a cada seis meses.
“Os médicos acreditam que agora, tomando de forma preventiva, eu não vou ter mais crises”, disse.
Desde a última crise, em janeiro de 2025, Roberta segue em processo intenso de reabilitação. Ela continua o tratamento no Hospital Sarah, em Brasília, faz fisioterapia regularmente e ainda trabalha a retomada da força muscular e da autonomia.
Atualmente, não consegue correr como antes e ainda depende de apoio em algumas atividades físicas, mas comemora cada avanço.
“Eu já estive pior. Já estive completamente paralisada. Então cada movimento que volta é uma vitória”, afirma.
Mesmo diante das limitações, ela mantém a rotina de estudos, produção de conteúdo nas redes sociais e projetos voltados ao cuidado e à saúde da mulher.
A fisioterapeuta diz que aprendeu a viver em ciclos e com intensidade.
Jovem durante primeira crise
Arquivo pessoal/ Roberta Rodrigues
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