Como funcionava suposto esquema de corrupção que movimentou mais de R$ 100 milhões em Três Lagoas

  • 07/08/2026
(Foto: Reprodução)
Máquinas trabalhando em uma das ruas de Três Lagoas. Wander Di Oliveira. A força-tarefa do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) cumpriu, nesta quinta-feira (6), durante a Operação Máquinas de Areia, mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados e empresas suspeitas de integrar um esquema de fraudes em contratos milionários com a prefeitura de Três Lagoas. As contratações previam a locação de máquinas, veículos e equipamentos para a execução de serviços urbanos e rurais no município. Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão. A maior parte dos endereços está localizada em Três Lagoas. Um dos alvos foi a sede da Secretaria Municipal de Infraestrutura da Prefeitura de Três Lagoas, apurou a reportagem. Também houve cumprimento de ordens judiciais em Campo Grande, Dourados, Terenos e no município de Castilho (SP). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Em nota, a Prefeitura de Três Lagoas informou apenas que ainda "não sabia o motivo da operação" e que irá se manifestar assim que tiver acesso às informações. As suspeitas envolvem contratações sem justificativa legal, falhas na fiscalização, execução irregular dos contratos, terceirização proibida e possível confusão patrimonial entre as empresas contratadas. Operação nasceu de investigação anterior A Operação Máquinas de Areia é um desdobramento da Operação Cascalho de Areia, que investigou supostas fraudes em contratos firmados pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande. Segundo o MPMS, a investigação anterior identificou indícios da existência de um "esquema estruturado para o desvio de recursos públicos". As apurações apontaram que quatro empresas, embora registradas com nomes diferentes, possuíam administradores em comum e atuariam de forma coordenada na execução das fraudes. Em 2017, a Prefeitura de Três Lagoas contratou, por meio de contratação direta, duas dessas empresas investigadas na Operação Cascalho de Areia. LEIA TAMBÉM Operação apura suspeita de fraudes em contratos que somam mais de R$ 100 milhões em Três Lagoas Posteriormente, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) concluiu que o município não comprovou a situação de urgência exigida por lei para justificar a dispensa de licitação. Mesmo assim, os contratos foram prorrogados sucessivamente até 2023 por meio de termos aditivos. No mesmo ano, a prefeitura ainda firmou um novo contrato com uma terceira empresa também investigada na Operação Cascalho de Areia. Segundo a investigação, os contratos previam aluguei de máquinas, caminhões, ônibus, veículos e outros equipamentos destinados à prestação de serviços no município. O contrato também incluía combustível, operadores, motoristas, alimentação, transporte e manutenção dos equipamentos. Agora no g1 Para o Ministério Público, a celebração desses contratos com empresas já investigadas por supostos atos de corrupção reforça a suspeita de que o mesmo modelo de atuação identificado em Campo Grande tenha sido reproduzido em Três Lagoas, envolvendo empresários e agentes públicos. Contratos superam R$ 100 milhões De acordo com o MPMS, entre 2018 e 2026 os contratos e aditivos sob investigação ultrapassam R$ 100 milhões. As suspeitas envolvem contratações sem justificativa legal, falhas na fiscalização, execução irregular dos contratos, terceirização proibida e possível confusão patrimonial entre as empresas contratadas. A investigação também aponta que uma das empresas não apresentou balanço patrimonial nem comprovou possuir capacidade técnica e estrutura financeira compatíveis com os serviços contratados. Segundo o MPMS, o procedimento licitatório foi iniciado após a anulação de uma contratação anterior e teria descumprido regras previstas na Lei de Licitações e Contratos Administrativos. A investigação também aponta que uma das empresas não apresentou balanço patrimonial nem comprovou ter estrutura suficiente para executar os serviços. Segundo o MPMS, o processo foi aberto após a anulação de uma contratação anterior e desrespeitou regras da Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Fiscalização sob suspeita A forma de execução dos contratos também é alvo da investigação. Um dos contratos, no valor de R$ 2,8 milhões, permaneceu em vigor até novembro de 2023 após sucessivas prorrogações. Outro, de R$ 8,1 milhões, foi encerrado em outubro do mesmo ano. Conforme o Corpo Técnico de Engenharia e Arquitetura do MPMS, a documentação analisada apresenta diversas inconsistências, como registros imprecisos das horas trabalhadas, ausência de critérios objetivos para aferição da produtividade, utilização de veículos acima do limite previsto, falta de controle diário dos equipamentos e relatórios fotográficos considerados genéricos. Segundo os promotores, essas falhas impedem verificar se os serviços foram efetivamente executados e se os pagamentos realizados pela prefeitura correspondem ao trabalho prestado. Após atingir o limite legal de prorrogações, o município celebrou um novo contrato no valor de R$ 23,8 milhões para ampliar os serviços, incluindo o atendimento à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O contrato continua em vigor. O MPMS também aponta falhas na fiscalização dos contratos Pelas regras, cada serviço deveria ser autorizado por uma Ordem de Serviço (OS), contendo informações detalhadas sobre os equipamentos utilizados, local de execução, período de utilização e atividade desempenhada. O pagamento somente poderia ocorrer após a conferência da documentação pelos fiscais responsáveis. Segundo a investigação, esse procedimento não foi observado. O Tribunal de Contas concluiu que a documentação analisada não permite identificar quais máquinas foram utilizadas, onde prestaram serviços e quais atividades efetivamente executaram. Terceirização irregular Embora os contratos proibissem a subcontratação, testemunhas relataram que as empresas não possuíam maquinário suficiente e alugavam equipamentos de terceiros para cumprir os contratos. Além dos depoimentos, documentos encaminhados ao Tribunal de Contas indicam que parte dos equipamentos utilizados não pertencia às empresas contratadas. O MPMS também destaca que o capital social das empresas é muito inferior aos valores contratados, levantando dúvidas sobre a capacidade financeira e operacional para executar serviços dessa magnitude. As investigações ainda apontam indícios de confusão administrativa e patrimonial entre as empresas. Apesar de possuírem registros distintos, elas teriam atuado de forma integrada durante a execução dos contratos. Um dos depoimentos relata que um operador foi contratado inicialmente por uma empresa e, posteriormente, transferido para outra, sem qualquer alteração nas atividades desempenhadas ou nos equipamentos operados. Para o Ministério Público, esse e outros elementos reforçam a hipótese de que as empresas funcionavam, na prática, como uma única estrutura empresarial. Sobre a operação A ação foi conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 7ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas. Os mandados foram cumpridos por determinação da Justiça em uma investigação que apura crimes contra a administração pública e outros delitos relacionados. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/08/07/como-funcionava-suposto-esquema-de-corrupcao-que-movimentou-mais-de-r-100-milhoes-em-tres-lagoas.ghtml


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