Comércio na rua, grupos pagos e dancinhas: como é o mercado paraguaio de canetas emagrecedoras ilegais
26/01/2026
(Foto: Reprodução) Como é o mercado paraguaio de canetas emagrecedoras ilegais
O Fantástico foi até o Paraguai investigar a venda de canetas emagrecedoras proibidas no Brasil, que movimenta um mercado clandestino que preocupa autoridades dos dois lados da fronteira. A reportagem mostrou como laboratórios paraguaios promovem os produtos — com anúncios improvisados, vendedores nas calçadas e até dancinhas para atrair consumidores. Veja no vídeo acima.
Venda à luz do dia e propaganda com 'dancinha'
Em Ciudad del Este, a oferta acontece sem discrição. Ambulantes abordam compradores no meio da rua, inclusive com dancinhas para promover as substâncias vetadas no Brasil.
A investigação também encontrou “guias” que levam compradores a farmácias paraguaias e orientam sobre transporte clandestino para o Brasil.
Os contrabandistas tem estrutura montada para revender os produtos no Brasil.
"Tem lá em São Paulo. E aí no caso, você pega em São Paulo. Fechamos aqui, você deixa 30% e depois paga tudo onde você vai retirar", afirma um comerciante paraguaio.
Dancinha: mercado paraguaio de canetas emagrecedoras ilegais
Fantástico
Grupos pagos para driblar a fiscalização
Vendedores e intermediadores mantêm grupos fechados em aplicativos de mensagem — a entrada custa cerca de R$ 100 — usados para alertar quando há operações policiais ou barreiras na fronteira. Nesses espaços, usuários recebem instruções sobre rotas alternativas e atualizações em tempo real para evitar apreensões.
Como é o mercado paraguaio de canetas emagrecedoras ilegais
Reprodução/TV Globo
Revenda no Brasil
Os números comprovam o avanço do contrabando. Em 2024, a Receita Federal apreendeu 2.500 unidades. Já no ano passado, foram 30 mil canetas emagrecedoras, uma carga avaliada em mais de R$ 30 milhões. Pesquisas indicam, no entanto, que apenas 5% de tudo o que entra ilegalmente no país é apreendido. A estimativa é que esse mercado movimente cerca de R$ 600 milhões.
Há quem atravesse a fronteira carregando dezenas de unidades por vez. Em outro caso, uma mulher revelou que levaria o material para o Rio de Janeiro, parte da rede que abastece influenciadores e consumidores em busca de emagrecimento rápido.
“Nesses casos, quando há falsificação ou corrupção do produto, a pessoa responde por crime contra a saúde pública, com pena de reclusão de 10 a 15 anos”, afirma a delegada Milena.
A agência de vigilância sanitária paraguaia também já emitiu alerta sobre a tirzepatida, princípio ativo usado em diversas canetas ofertadas ilegalmente, afirmando que algumas marcas representam risco grave por não terem composição e qualidade verificáveis.
“O combate passa pelo reforço nas áreas de fronteira, mas também pela homogeneização de protocolos entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil e a do Paraguai. Isso ajudaria muito”, diz Luciano, do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras.
Como é o mercado paraguaio de canetas emagrecedoras ilegais
Reprodução/TV Globo
Problema vira tema de saúde pública
Para as autoridades, o contrabando de canetas emagrecedoras já é considerado um problema de saúde pública.
“São medicamentos muito bons. O grande problema está no uso inadequado, sem orientação médica, e na compra em fontes duvidosas, onde o produto pode não ser aquele, ter qualidade ruim ou estar contaminado”, conclui Henning.
Casos graves após o uso
O caso de Kellen Oliveira, de 42 anos, acendeu ainda mais o alerta. Após usar uma caneta comprada no Paraguai, ela começou a sentir dores intensas e foi internada com síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune capaz de provocar paralisia.
“Uma vez que ocorre um efeito colateral, não é possível saber com precisão se ele foi causado pelo medicamento, por outra substância, por um contaminante ou por má conservação”, explica Felipe Henning, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia. “Esses efeitos colaterais podem ser tão severos que podem levar o paciente ao óbito.”
O que diz a Anvisa
Em nota, a Anvisa disse que medicamentos sem registro no Brasil não podem ser comercializados. E que a única hipótese para a compra de um medicamento não aprovado no país é a importação excepcional por pessoa física para fins de tratamento da própria saúde e com prescrição médica.
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
O Fantástico foi até o Paraguai mostrar a febre das canetas emagrecedoras proibidas, mas mesmo assim vendidas em Ciudad Del Este e no Brasil.
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