Colete salva-vidas, clima e resistência física: o que ajudou mulher a sobreviver 42 horas à deriva no mar

  • 27/05/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher é resgatada após ficar à deriva por 3 dias em alto-mar no Litoral Norte de SP O resgate com vida de Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, após cerca de 42 horas à deriva no mar em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, surpreendeu até mesmo equipes de resgate e especialistas. A jovem desapareceu no domingo (24), após sair para um passeio de moto aquática ao lado de Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos. Ela foi encontrada viva na manhã de terça-feira (26), durante o terceiro dia de buscas, após ser localizada por pescadores em alto-mar. Especialistas ouvidos pela TV Vanguarda apontam que uma combinação de fatores ajudou Bruna a sobreviver por tanto tempo no mar, enfrentando frio, vento, chuva, cansaço e desidratação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, apesar da instabilidade registrada no litoral paulista, as condições climáticas não chegaram aos cenários mais extremos. Bruna Damaris Sant’anna da Silva foi resgatada após ficar à deriva em alto-mar. Reprodução/Acervo pessoal/Tribuna do Povo “Você não tinha uma situação de ventania, não tinha uma situação de ar frio demais”, explicou. De acordo com ela, a área de baixa pressão atmosférica que atuou no litoral entre domingo e segunda-feira também pode ter ajudado a manter Bruna sem se afastar muito da região onde acabou sendo encontrada. LEIA TAMBÉM: Mulher que desapareceu após passeio de moto aquática é resgatada com vida VÍDEO mostra momento de resgate de mulher encontrada com vida à deriva em alto-mar 'Confusa, com frio e pedindo água': pescadores relatam como encontraram mulher Pescadores encontraram mulher à deriva no mar após mudarem rota: 'Deus avisando' Mulher resgatada após ficar à deriva em alto-mar nunca havia andado de moto aquática Além do clima, o uso do colete salva-vidas foi apontado como um dos fatores decisivos para a sobrevivência da jovem. Os próprios pescadores que encontraram Bruna disseram que ela estava extremamente cansada no momento do resgate e que o equipamento foi essencial para mantê-la na superfície. “Ainda bem que ela estava de colete. O colete não deixou afundar”, afirmou o pescador Alex Quintino dos Santos, que participou do resgate. A médica endocrinologista e metabologista Raquel Donadel Kroth afirmou que a idade e as condições físicas da jovem também podem ter contribuído para que ela resistisse tanto tempo no mar. “Eu acredito que ela conseguiu sobreviver por um conjunto de fatores. Principalmente por ser jovem, não ter uma história de doenças graves e principalmente por estar de colete salva-vidas”, afirmou. Resgate de Bruna Damaris Sant’anna da Silva, em Ubatuba. Reprodução A especialista explicou ainda que o frio intenso aumenta o risco de hipotermia, arritmias, confusão mental e afogamento, além da dificuldade provocada pela falta de água e alimentos. Para o capitão Eduardo Campanhola, porta-voz do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), o caso é considerado raro até mesmo para equipes acostumadas com ocorrências marítimas. “Eu não me lembro na história do Grupamento de Bombeiros Marítimo de termos uma ocorrência semelhante a essa”, afirmou. Segundo ele, o fato de Bruna ter permanecido cerca de três dias em alto-mar, em águas frias e durante noites consecutivas, torna o caso ainda mais incomum. O comandante do 2º Pelotão de Bombeiros Náutico, Leonardo Nery, também destacou a resistência da jovem. “Realmente passar duas noites ali no mar, lutando pela vida, é um ato de heroísmo”, disse. Bruna segue internada no Hospital Municipal Mário Covas Jr., em Ilhabela. Segundo o boletim médico mais recente, ela apresenta evolução clínica favorável, está consciente, respirando sem ajuda de aparelhos e sem sinais de risco iminente de morte. Já Dheorge Pereira Bernardino segue desaparecido. As buscas entraram no quarto dia nesta quarta-feira (27) e continuam sendo realizadas pela Marinha do Brasil, Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), Corpo de Bombeiros, helicóptero Águia da Polícia Militar e equipes de apoio. Buscas por desaparecido em Ilhabela são retomadas Relembre o caso Dheorge desapareceu no domingo (24), após sair para um passeio de moto aquática na região da Praia Ponta das Canas, no sul de Ilhabela, junto com Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos. Na manhã de segunda-feira (25), a moto aquática usada pelos dois foi encontrada à deriva em alto-mar, a cerca de 22 quilômetros do ponto onde eles haviam sido vistos pela última vez. Bruna foi encontrada viva na terça-feira (26), após passar cerca de 42 horas à deriva no mar. Ela foi resgatada por pescadores próximo à Ilha de Búzios e levada ao Hospital Mário Covas, em Ilhabela, onde segue internada com evolução clínica favorável. As buscas por Dheorge entraram no quarto dia nesta quarta-feira (27) e seguem sendo realizadas pela Marinha, Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), Corpo de Bombeiros e equipes de apoio da região. Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, ainda não foi localizado e as buscas continuam. Arquivo pessoal Quem é Dheorge Dheorge é natural de Alcântaras, no Ceará, mas morava há cerca de 10 anos em São José do Rio Preto, no interior paulista. Segundo familiares, o homem se mudou para a cidade em busca de melhores oportunidades de trabalho e atuou durante anos como pizzaiolo em uma pizzaria da cidade. Atualmente, estava desempregado e procurava uma nova oportunidade de emprego. De acordo com a família, Dheorge viajou para o Litoral Norte de SP no dia 18 de maio para passar alguns dias com amigos. Desde o desaparecimento, os parentes acompanham com angústia as buscas feitas pelos bombeiros e pela Marinha, mas afirmam manter a esperança de que ele seja encontrado com vida — principalmente após Bruna ter sido resgatada no mar. “Dela ter aparecido foi uma esperança grande pra gente, porque mostra que também existe chance de encontrarem ele vivo”, afirmou a mãe dele, Maria de Fátima Pereira Bernardino, de 49 anos. A família também fez um apelo para que as equipes não interrompam as buscas. Sem condições financeiras de viajar até Ilhabela, os parentes acompanham as atualizações à distância e dizem confiar no trabalho dos bombeiros. “Estamos na esperança de receber uma notícia boa. Nossa esperança agora é que continuem procurando e não desistam dele”, disse a mãe. Segundo o protocolo dos bombeiros, as buscas em casos de desaparecimento no mar costumam ser realizadas por até cinco dias consecutivos, período considerado crucial para as operações de resgate. Nesta quarta-feira (27), as equipes entraram no quarto dia de buscas por Dheorge. Mulher é encontrada com vida após 42h à deriva em Ilhabela Moto aquática usada por dupla que desapareceu é encontrada à deriva em alto-mar em Ilhabela; buscas por vítimas continuam Divulgação Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

FONTE: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2026/05/27/colete-salva-vidas-clima-e-resistencia-fisica-o-que-ajudou-mulher-a-sobreviver-42-horas-a-deriva-no-mar.ghtml


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