'Brasília, capital da saudade': o que dizem migrantes que chegaram nos anos 1960 e hoje; veja FOTOS

  • 21/04/2026
(Foto: Reprodução)
GIF mostra fotos de imigrantes na época da construção e inauguração de Brasília Arquivo Público do DF Vista do alto, Brasília parece pronta para decolar. E é isso que fizeram os milhares de brasileiros vindos de todas as regiões do país em direção à capital, desde a sua construção. No centro do mapa, Brasília é o ponto onde várias histórias se cruzam. Cada um que vem traz sotaques, hábitos e expectativas que ajudam a redesenhar a cidade todos os dias. O g1 reuniu depoimentos de migrantes de diferentes épocas — histórias que revelam descobertas, estranhamentos e recomeços na capital (leia mais abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 no WhatsApp. Segundo o Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IpeDF), dos quase 3 milhões de moradores do DF, 1.244.961 nasceram em outros estados. Dos que migraram, os principais motivos foram para acompanhar a família (36,6%) e para trabalhar (29,3%). “Aqui é uma cidade de saudade, uma cidade de pessoas que vêm de outros territórios. Então é um lugar onde também muitas pessoas constroem suas vidas em meio a estranhos. Aqui há acolhimentos, mas também há suas formas de distanciamento”, explica o antropólogo e historiador Paíque Santarém, professor da Universidade de Brasília (UnB). As trajetórias de quem chega de fora e decide ficar são diversas — assim como as formas de enxergar Brasília. Há quem considere a cidade um lugar acolhedor, sinônimo de sucesso e vida nova. Já outros reclamam da “frieza” da arquitetura e das pessoas. LEIA TAMBÉM: Clarice Lispector odiava ou amava Brasília? Entenda “Essa migração foi acontecendo de variadas maneiras. Pessoas que vieram para trabalhar, para construir a cidade, pessoas que vieram fugidas de suas cidades, pessoas que enxergaram aqui no Distrito Federal um local para reconstruir ou para melhorar a trajetória da família, e as que enxergavam aqui um terreno de propriedade de vida e de sonhos”, pontua Santarém. 🎞️Veja, na galeria, mais fotos de migrantes na época da construção e inauguração da capital: Os migrantes de Brasília há mais 60 anos Os relatos de quem veio José Jorge Cauhy - comerciante, veio de Uberlândia (MG), em 1957, em busca de "fazer a vida" Ah, foi a maior coisa que foi inventada, foi Brasília. [...] Eu levei minha família a noite, para passear, então eles conheceram alguma coisa. A impressão que eu tive com o Palácio da Alvorada foi uma coisa deslumbrante, estava tudo clarinho, coisa mais linda que eu encontrei na minha vida, acho que foi o Palácio da Alvorada. José Geraldo Gonçalves - bancário, veio de Belo Horizonte (MG) com a família, a trabalho, em 2013 “Nós aprendemos a gostar de Brasília, até mais do que a gente gostava da nossa cidade de origem. Eu achei uma cidade muito legal, muito gostosa mesmo, você tem muita opção de lazer, você tem muita coisa interessante, eu adoro Brasília.” Eu não achei as pessoas muito acolhedoras, não. Nós tivemos esse choque de realidade, de hábitos da população que quando a gente chegava no elevador, às vezes a pessoa até virava o rosto pro lado a não cumprimentar a gente. E pra nós aquilo era um choque, a gente não entendia o porquê daquilo. Então a princípio eu não gostei do acolhimento não, mas assim, depois que você vai entendendo a dinâmica da cidade, aí você acaba relevando. Rômulo Barbosa Neves - advogado, veio do Rio de Janeiro, a trabalho, em 2025 Carioca em Brasília fala sobre 'choques culturais' Em vídeo viralizado no TikTok, o carioca de 30 anos conta alguns "choques culturais" que teve ao chegar em Brasília (assista acima). Ao g1, ele também falou suas impressões sobre a cidade. "O clima é uma loucura, né? De dia tá muito calor, extremamente calor, aí de noite tá frio, chovendo. [...] Mas o que eu mais estou tendo dificuldade é com os endereços, é absurdo, porque são letras, aí você coloca aplicativo e você tem que acertar tudo, não pode errar nada, uma letrinha, um número, e você tá em outra quadra", diz. Augusto Guimarães - arquiteto, veio do Rio de Janeiro, em 1957, a convite de Lúcio Costa Quando eu desci em Brasília, aquela ausência de horizonte, aquela vegetação meia ressequida, eu fiquei arrepiado, não conseguia sequer respirar. Eu disse: "Meu Deus!". [...] Vocês querem uma sensação? Eu fui assistir a inauguração de Brasília e cheguei lá meia-noite. Quando eu olhei lá pra baixo, eu vi, eu conhecia a cidade, eu vi a cidade iluminada. Eu disse: "Mas que loucura, puseram poste na cidade toda." Não era não, eram os automóveis que estavam parados, e a cidade cheia de automóveis, era aquela coisa, viu? Ah! A cidade inteira desenhada ali. Foi um negócio muito bonito. Brasília causa estranheza. A primeira estranheza que Brasília causa é de ordem emocional. Todos foram erradicados de algum lugar. Todos foram tirados de algum lugar. Tirados por miragem, tirados por necessidade, mas alguém que tá lá, que perdeu, deixou as raízes e as ligações noutra parte. Júlia Soares Domingues - fonoaudióloga, veio de Guaraciaba do Norte (CE), para estudar, em 2019 Initial plugin text Minha primeira impressão foi o choque do movimento acelerado. Em Guaraciaba, o tempo parece pertencer à gente; aqui, parece que corremos atrás dele. Senti falta das pausas, do 'bom dia' demorado, de saber quem são os vizinhos, e quando não, a troca ainda ser algo viável. É uma distância, principalmente, de estilo de vida. Brasília é uma cidade de oportunidades, mas o acolhimento tem suas ressalvas. No início, senti que para me sentir aceita, mesmo Brasilia sendo um lugar de migração, precisei camuflar especialmente meu sotaque. [...] Depois de oito anos aqui, já me sinto em casa, as oportunidades me permitiram construir uma ótima vida. Ainda que em certas regiões e bolhas sociais, o preconceito contra o nordestino seja muito latente Conflito e sonho Paíque Santarém explica que o Distrito Federal já era um local de convergência de culturas muito antes da construção de Brasília, quando povos originários e quilombolas ocupavam a região do Planalto Central. Com a inauguração da capital, muitos brasileiros deixaram suas vidas em seus locais de origem para viver o sonho de Brasília. "O que torna Brasília atrativa é a ideia de ser uma cidade nova. Isso faz com que muitas pessoas venham pra cá e queiram lutar na cidade, queiram construí-la e conquistá-la", diz. "Houve, em determinados momentos da história, propagandas do Estado com maior ou menor perversidade para que as pessoas viessem para cá, seja com promessas de terra ou de trabalho, e essas propagandas geraram uma dinâmica de conflitos e de conquistas de território. Então, o Distrito Federal tem essa dimensão do conflito e do sonho como algo que é constituinte", diz Santarém. Pôr do sol na Torre de TV de Brasília Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Ainda segundo o antropólogo, os primeiros povos que vieram para o Distrito Federal, os Candangos, enfrentaram uma "jornada heróica", porque trabalharam em jornadas extenuantes, com condições de trabalhos precárias e baixos salários. Os que vêm hoje também enfrentam dificuldades, embora não as mesmas de antes. "Pessoas que vêm para cá com nada, para construir a vida, quando encontram espaços comunitários, conseguem espaços de acolhimento. Mas esse acolhimento não retira delas as dificuldades que são viver e lutar nessa capital", pontua. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/04/21/brasilia-capital-da-saudade-o-que-dizem-migrantes-que-chegaram-nos-anos-1960-e-hoje-veja-fotos.ghtml


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