Adolescente atropelado por viatura da PM no TO: veja o que se sabe e que falta esclarecer
07/03/2026
(Foto: Reprodução) Imagens mostram momento de perseguição da PM que deixou jovem com fraturas nas pernas
O atropelamento de Gustavo Soares Guedes, de 17 anos, por uma viatura da Polícia Militar (PM) gerou comoção em Alvorada, no sul do Tocantins. Ele fratutou as duas pernas e teve um braço esmagado por um poste.
A Polícia Militar alega que o menor fugiu de uma abordagem, perdeu o controle da motocicleta e a equipe de policiais não conseguiu parar a viatura (veja nota abaixo). A defesa da família e o Ministério Público do Tocantins (MPTO) buscam esclarecer a dinâmica do caso, avaliando a conduta dos policiais e a proporcionalidade da força utilizada pelos agentes de segurança pública.
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A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP) informou que a ocorrência foi registrada na 13ª Central de Atendimento da Polícia Civil de Alvorada, e as investigações estão sob responsabilidade da 92ª Delegacia de Polícia de Alvorada.
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Adolescente fraturou as duas pernas após ser atropelado por viatura da PM, em Alvorada (TO)
Arquivo Pessoal
Como aconteceu o atropelamento e a colisão com o poste?
O acidente ocorreu no Setor Oeste de Alvorada, por volta das 23h, de quarta-feira (4). Segundo testemunhas, após uma perseguição, a moto conduzida pelo adolescente foi atingida pela viatura policial.
Em decorrência do impacto, a motocicleta ficou sob a viatura, que perdeu o controle e se chocou contra um poste. Gustavo foi prensado, e a estrutura de concreto quebrou, caindo parte sobre as pernas dele e esmagando seu braço direito.
Quem é o adolescente atropelado?
Gustavo Soares é estudante do ensino médio em uma escola estadual e trabalha como repositor em um supermercado na cidade de Alvorada. Amigos e familiares descrevem o jovem como uma pessoa esforçada e educada, e acreditam que ele possa ter se apavorado ao ser abordado, pois havia ganhado a motocicleta recentemente e não possuía habilitação.
A tentativa de abordagem dos policiais, que resultou no atropelamento, causou indignação entre os moradores de Alvorada que conhecem o adolescente.
"Ele é um rapaz novo, mas é muito trabalhador. Acho que por ter ganhado a moto recentemente, ele acabou se apavorando e aí acelerou. Quem conhece ele sabe que ele é um jovem muito esforçado, muito educado, sempre sorridente, atendia todo mundo bem. A cidade está muito triste por ele", comentou Luana Chaves, amiga da família.
O que diz a Polícia Militar sobre o caso?
A PM informou que a equipe tentou realizar a abordagem porque Gustavo trafegava na Avenida Bernardo Sayão em alta velocidade e com um veículo de características alteradas. Segundo a corporação, o condutor desobedeceu à ordem de parada e fugiu realizando manobras perigosas.
De acordo com a corporação, o jovem perdeu o controle da moto em um cruzamento e caiu. A viatura tentou frear, mas não conseguiu evitar a colisão, perdendo o controle e atingindo o poste logo após a motocicleta ficar presa sob o veículo oficial.
O que as testemunhas e as câmeras de segurança revelam?
Três testemunhas relataram ao g1 que Gustavo levava um amigo na garupa quando começou a ser seguido pela viatura. O passageiro desceu da moto e fugiu a pé, enquanto o adolescente acelerou.
Imagens de câmeras de segurança registraram a perseguição, mostrando a viatura circulando muito próxima do estudante instantes antes de ele ser prensado contra um poste.
Qual é o estado de saúde atual do adolescente?
O estado de saúde é considerado grave. Gustavo passou por cirurgias nas duas pernas na quinta-feira (5) e segue internado no Hospital Regional de Gurupi. Além das fraturas nas pernas, ele teve o braço direito esmagado pelo poste.
Segundo a equipe médica, a extensão total das lesões no braço só poderá ser avaliada após o paciente se estabilizar das cirurgias anteriores.
O que o Ministério Público está acompanhando?
O Ministério Público Estadual (MPTO) instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da perseguição. O promotor André Felipe Santos Coelho determinou diligências para verificar se os policiais seguiram os protocolos operacionais padrão e se houve uso proporcional da força.
O órgão também requisitou perícia na viatura, análise das marcas de frenagem no local e a identificação de todos os militares envolvidos. O MPTO acionou a Corregedoria da PM para avaliar medidas disciplinares e o Conselho Tutelar para acompanhar e proteger a família.
Quais medidas judiciais a família está tomando?
A família é representada pelos advogados Benito Querido e Claudia Amorim Estevam. A defesa busca imagens adicionais de segurança junto à prefeitura para esclarecer a dinâmica dos fatos. Os advogados informaram que pretendem ingressar com uma representação para a abertura de uma sindicância contra o policial condutor da viatura, visando investigar formalmente sua atuação durante a ocorrência.
Íntegra da nota da PM
A Polícia Militar do Tocantins (PMTO) informa que registrou, na noite desta quarta-feira, 4 de março, um sinistro de trânsito envolvendo uma viatura policial e uma motocicleta no Setor Oeste, no município de Alvorada. A ocorrência resultou em ferimentos no condutor da motocicleta, um adolescente de 17 anos, além de danos ao patrimônio público.
Durante patrulhamento na Avenida Bernardo Sayão, a equipe policial visualizou uma motocicleta Honda Bros, de cor preta, trafegando em alta velocidade e com características alteradas, o que motivou a tentativa de abordagem.
Ao receber ordem legal de parada, o condutor desobedeceu à determinação e empreendeu fuga pelas vias da cidade, iniciando-se acompanhamento tático pela viatura policial. Durante a evasão, o passageiro desceu do veículo e fugiu do local, enquanto o condutor continuou em deslocamento.
No decorrer da fuga, o motociclista passou a conduzir de forma perigosa, realizando manobras arriscadas, trafegando em alta velocidade e desrespeitando regras básicas de circulação, colocando em risco a integridade dos policiais militares e de outros usuários da via, como pedestres e demais condutores.
No cruzamento da Rua Aracaju com a Rua Tocantins, o condutor da motocicleta perdeu o controle do veículo e caiu na via. A viatura policial que realizava o acompanhamento tentou realizar a frenagem, porém não foi possível evitar a colisão.
Nota do MP sobre o caso
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou procedimento para apurar as circunstâncias de uma perseguição policial que terminou com um adolescente de 17 anos gravemente ferido após a motocicleta que conduzia colidir contra um poste, na madrugada desta quinta-feira, 5, em Alvorada, região sul do estado.
Diante da gravidade da ocorrência, o promotor de Justiça André Felipe Santos Coelho determinou a adoção de diversas diligências para esclarecer a dinâmica dos fatos. De com registros fotográficos e audiovisuais, o adolescente estaria sendo perseguido por uma viatura da Polícia Militar do Tocantins no momento do acidente, que resultou em lesões graves.
Entre as providências requisitadas, a promotoria de Justiça de Alvorada vai verificar se os protocolos operacionais de perseguição policial foram observados, bem como se houve uso proporcional da força.
Também solicita a instauração de inquérito policial pela polícia civil. O procedimento deverá identificar os policiais militares envolvidos, apreender a viatura utilizada na perseguição para realização de perícia e realizar exame técnico no local do acidente, com análise de vestígios, marcas de frenagem e do ponto de impacto, entre outros.
Além disso, a Promotoria requisitou informações ao comando da unidade da polícia militar responsável pela área, como relatórios da ocorrência, manuais operacionais sobre perseguição policial e dados sobre eventual instauração de procedimento administrativo para apuração interna dos fatos.
O caso também foi comunicado à Corregedoria da Polícia Militar, para acompanhamento e adoção das medidas disciplinares cabíveis.
O MPTO também acionou o Conselho Tutelar do município para acompanhar a situação do adolescente e de sua família. O órgão deverá adotar medidas de proteção, orientar os familiares sobre o acesso à assistência jurídica gratuita e monitorar a evolução clínica da vítima, inclusive para registro de eventuais sequelas permanentes.
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