Acre investiu menos de 20% dos recursos federais destinados ao combate à violência contra mulher

  • 07/03/2026
(Foto: Reprodução)
CGU apresentou relatório com os dados à Semulher nessa sexta-feira (6) Arquivo pessoal O Acre recebeu cerca de R$ 12 milhões em recursos federais, entre 2023 e 2025, para políticas de combate à violência contra a mulher, porém, não utilizou nem 20% desse valor na ações. Em três anos, foram utilizados menos de R$ 2,4 milhões. A informação consta em um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) apresentado em uma reunião com a Secretaria da Mulher do Acre (Semulher) nessa sexta-feira (6). ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp O levantamento também avaliou o atendimento na rede de proteção às mulheres e destacou a baixa adesão do uso do recurso encaminhados para serem distribuídos para assistência às mulheres. Em nota, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) afirmou que os dados mostram apenas os valores repassados e efetivamente executados, ou seja, relativos a despesas que já saíram na conta bancária. Com isso, não são contabilizados os valores empenhados de contratos já firmados e em execução e os valores aprovisionados de processos administrativos em andamento, já reservados para posterior empenho. Segundo a pasta, a execução real das ações é superior aos dados que aparecem publicamente e que as contas bancárias apresentam também rendimentos financeiros, o que aumenta o saldo total disponível. A secretaria garante que, na prática, a execução real é mais ampla, pois inclui as etapas de despesas em curso. Segundo o relatório, que é baseado em informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 2023, o Acre recebeu R$ 3,8 milhões do governo federal e utilizou apenas R$ 1,3 milhão. Em 2024, o repasse foi de mais de R$ 4,5 milhões, porém, o estado só gastou R$ 112 mil. No ano passado, o valor enviado chegou a R$ 4,6 milhões, mas somente pouco mais de R$ 60 mil foram gastos. LEIA TAMBÉM: Brasil registra recorde de feminicídios em 2025; quatro mulheres são assassinadas por dia Acre tem maior taxa de feminicídios do país em 2025 Assassinatos em público revelam controle, defesa da honra e ódio às mulheres, apontam especialistas Com 111 órfãos por feminicídios em 4 anos, órgãos debatem melhorias em políticas de proteção De acordo com o superintendente da CGU no Acre, Osmar Nilo, a Secretaria Nacional de Segurança Pública envia os recursos para a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que faz o gerenciamento desses valores. “O que tem se visto é uma baixa execução em relação aos recursos efetivamente enviados nos anos de 2023, 2024 e 2025. Nesses anos constam mais de R$ 12 milhões disponíveis para a execução do governo do Estado. E o que nós temos de informação, até o momento, é que o governo já planejou a execução desses recursos e está para a execução”, detalhou. Relatório também avalia o atendimento na rede de proteção às mulheres Arquivo A secretária da Mulher do Acre, Márdhia El-Shawwa, disse que a auditoria feita pela CGU tem como foco o atendimento feito às mulheres vítimas de violência nos centros de referência. "Isso é uma auditoria que é realizada a pedido do Ministério das Mulheres em todo o país e o Acre não vai ficar fora, a gente vê de forma positiva até para que seja feito um diagnóstico de como está em todo o Brasil”, afirmou. Maior taxa de feminicídios do país Com 14 feminicídios em 2025, o Acre é o estado brasileiro com a maior taxa proporcional de assassinatos contra mulheres, estimada em 1,58 casos por 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) obtidos pelo g1. No ranking nacional por números absolutos, o estado aparece à frente do Amapá (9 casos) e de Roraima (7). Em comparação com 2024, quando foram registrados oito feminicídios, o Acre teve um aumento de 75% no total de casos em 2025. Relembre as vítimas aqui. Com isso, o estado voltou a atingir o pico da série histórica dos últimos 10 anos, repetindo os patamares observados em 2016 e 2018, que também fecharam com 14 ocorrências cada. O cenário de violência contra a mulher reflete a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção. Para a estudante Elizadora Ribeiro, é necessário colocar em prática o que se tem discutido sobre segurança para as mulheres. Cenário de violência contra a mulher reflete a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção Reprodução “Não temos seguranças para andar na rua. O máximo que a gente recebe é um panfletinho, é uma palestra, mas quando a gente se vê numa rua escura não tem para onde correr. Então, eu acho que falta muita coisa”, declarou a estudante. A dona de casa Gabrielli Costa também afirma não se sentir segura em sair de casa e que não se sente protegida pelas políticas públicas. “A gente tem sim muitas leis, mas não temos a praticidade daquilo. Não podemos sair sem ao menos se sentir insegura com qualquer coisa. A gente não quer se tornar estatística”, pontuou. Combate ao feminicídio Em meio ao avanço dos números, o governo federal sancionou, em outubro, uma lei que endurece as penas para o crime de feminicídio. A nova legislação elevou a punição para 20 a 40 anos de prisão, ampliando o rigor em casos com agravantes, como quando a vítima está grávida, é menor de 14 anos ou maior de 60, ou quando o crime ocorre na presença de filhos ou pais. Além disso, o texto: torna o feminicídio um crime hediondo; estabelece que o processo judicial deve tramitar com prioridade; define pena de 5 anos em caso de violência doméstica; aumenta a pena em 1/3 se houver descumprimento de medida protetiva. Lula sanciona, sem vetos, lei que aumenta pena pra crime de feminicídio A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para denunciar casos de violência contra a mulher: (68) 99609-3901 (68) 99611-3224 (68) 99610-4372 (68) 99614-2935 Veja outras formas de denunciar: Polícia Militar - 190: quando a mulher está correndo risco imediato; Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes; Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres; Qualquer delegacia de polícia; Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel. Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa; Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia; WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008; Ministério Público; Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/03/07/acre-investiu-menos-de-20percent-dos-recursos-federais-destinados-ao-combate-a-violencia-contra-mulher.ghtml


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